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PSDB e PPS pedem que Lula seja investigado pela PGR

Filipe Matoso

O PSDB e o PPS protocolaram nesta terça-feira (6) na Procuradoria Geral da República uma representação contra o ex-presidente Lula para que seja investigado um suposto envolvimento dele com o esquema do mensalão.

De acordo com o PPS, o Ministério Público deveria oferecer uma denúncia junto ao Supremo Tribunal Federal. “O PPS alega que a teoria do domínio do fato, ou seja, da ciência do ocorrido, que foi aplicada na condenação do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, também poderia ser adotada no caso de Lula, que era o maior beneficiário do esquema”, diz o partido em nota.

A representação do PPS foi feita com base em uma reportagem da revista “Veja”. De acordo com a publicação, Marcos Valério teria declarado ao MP que foi chamado a conseguir dinheiro para resolver um caso de chantagem contra o ex-presidente Lula e o então chefe de gabinete dele, Gilberto Carvalho.

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência já falou sobre o assunto e negou as acusações.

Até a próxima!

Presidente do PSDB rebate nota de apoio a Lula

Filipe Matoso

Ségio Guerra/ foto: George Gianni - PSDB

Ségio Guerra/ foto: George Gianni – PSDB

O presidente do PSDB, deputado federal Sérgio Guerra (PE), respondeu nesta quinta-feira (20) a nota divulgada pelos partidos da base aliada ao governo Dilma em apoio ao ex-presidente Lula.

“Essa nota do governo não tem nada a ver com a nota dos partidos de oposição, mas sim com as pesquisas eleitorais que estão sendo divulgadas. A constatação é de que o PT não disputa mais a liderança das eleições deste ano, mas o segundo lugar. Não ouvi ninguém defender qualquer golpe ou procedimento heterodoxo. Nossa preocupação é outra: a legalidade e as urnas”, disse Guerra.

A oposição anunciou na terça (18) que deve pedir uma investigação de Lula após o julgamento do mensalão no STF, em razão de uma reportagem publicada pela revista “Veja”. Na edição, a semanal da Editora Abril afirma ter entrevistado pessoas supostamente ligadas a Marcos Valério e que ele teria dito a elas que Lula era o chefe do esquema de corrupção.

A base aliada disse na nota que a oposição recorre a práticas “golpistas”. “As forças conservadoras revelam-se dispostas a qualquer aventura. Não hesitam em recorrer a práticas golpistas, à calúnia e à difamação, à denúncia sem prova”.

Como disse no post anterior, essa briga deve ir longe.

Até a próxima!

Vídeo – Oposição quer pedir investigação do ex-presidente Lula

Filipe Matoso

A oposição anunciou nesta terça-feira (18) que deve pedir junto ao Ministério Público investigações sobre o suposto envolvimento do ex-presidente Lula no esquema de corrupção que ficou conhecido como mensalão. O requerimento deve, segundo os líderes, ser apresentado após a conclusão do julgamento que ocorre no Supremo Tribunal Federal (STF).

O pedido é baseado em uma reportagem publicada pela revista “Veja”. Segundo a semanal da “Editora Abril”, o suposto operador do mensalão, Marcos Valério, teria dito a familiares e amigos que Lua foi o “chefe” do suposto esquema.

Nessa segunda (17), o PT convocou os militantes para uma “batalha”. A orientação é para que os filiados defendam o ex-presidente Lula da Silva, o partido e demais líderes e ocupantes de mandatos.

Até a próxima!

Após STJ autorizar quebra de sigilos, Agnelo Queiroz diz não ter receios

Secretaria de Comunicação do DF envia nota em resposta à decisão da Justiça

Filipe Matoso

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou na última sexta-feira (18/11) a quebra dos sigilos fiscal e bancário do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), e do ex-ministro do Esporte, Orlando Silva (PCdoB). Há suspeitas de irregularidades na gestão do programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte. Agnelo chefiou a pasta entre 2003 e 2006, durante o Governo Lula. Além da quebra, os dois políticos serão chamados para depor no inquérito sobre as denúncias de desvio de verba no órgão.  Tanto a decisão do STJ quanto o interrogatório foram solicitados pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel. De acordo com o jornal O Globo, no total 26 pessoas deverão prestar depoimento.

Vale lembrar que Orlando Silva deixou o Ministério do Esporte por questões políticas. As primeiras denúncias foram feitas por João Dias, homem que falou à revista Veja sobre as supostas irregularidades no Segundo Tempo. Apesar das denúncias contra Agnelo, o governador do DF responde a todas e afirma que nada será provado contra ele. O petista aina deve responder às acusações de que teria recebido propina enquanto era diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Agnelo afirma que nada será provado contra ele/ foto retirada do Blog do Eliomar

Para o blog, há acusações e mais acusações, mas é necessário que provas sejam apresentadas e julgadas para termos uma posição clara sobre o assunto. No DF, políticos da oposição encaminharam cinco pedidos de impeachment contra Agnelo, mas todos foram arquivados pela Câmara Legislativa, presidida pelo deputado Patrício (PT).

Confira abaixo a íntegra da nota enviada pela Secretaria de Comunicação do DF à imprensa:

 

 

Brasília, 18 de novembro de 2011 ― O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, reafirma sua confiança nos procedimentos de apuração, que agora estão em esfera superior, em campo limpo, descontaminado das forças políticas que tentaram criar falsas denúncias. 

Agnelo Queiroz apoiou a quebra de sigilo do inquérito e encara com naturalidade as medidas do Ministério Público Federal e do Superior Tribunal de Justiça (STJ). 

O governador não tem receio algum de abrir as informações requeridas. Para ele, é oportunidade de elucidar, de uma vez, as acusações que tentam lhe impor.

Até a próxima!

As razões para Orlando Silva cair após denúncias de corrupção no governo

Como publicou o blog de Luis Nassif, saída do ministro pode representar primeira derrota do Governo Dilma

Filipe Matoso

Se tivéssemos de definir todo o caso da queda do ex-ministro dos Esportes, Orlando Silva (PC do B), em apenas uma palavra, diríamos: fraqueza. O político deixou a pasta sob a suspeita de envolvimento em esquemas de corrupção no programa Segundo Tempo. Sob suspeitas. Provas? Para quê? Elas não servem para nada. Aliás, nem necessárias elas são. Após denúncias feitas pela revista Veja (Editora Abril), a situação política de Orlando Silva ficou insustentável. Diferente de outros quatro ministros, que deixaram o governo após provas serem apresentadas, ele sai afirmando que mostrará inocência.

Já que falamos em “fraqueza”, vale a pena explicar porque apenas uma palavra resume o contexto político vivido em Brasília nos últimos 15 dias. O Governo Dilma, de um modo geral, está bem. Os números na Economia são favoráveis, projetos estão em andamento e o pulso firme da presidenta parece fazer feito. No entanto, como publicou o blog de Luis Nassif,  a queda de Orlando Silva se tornou uma derrota para a petista. A frase “questões políticas” foi repitida inúmeras vezes na quarta-feira (26/10), dia que sacramentou a derrubada do homem-chefe dos Esportes.

Questões políticas derrubaram Orlando Silva. Provas não. O delator do esquema de corrupção, o policial militar João Dias, negou ter provas concretas contra o político. Então, a colunista Dora Kramer, do Estado de S. Paulo, critica a sociedade por exigir documentos assinados de próprio punho por Orlando. O blog exige provas. Quer dizer, então, que as acusações feitas conseguiram derrubar o ministro? Sim.

Dilma/ foto: blog do Farnésio

Falamos em governo, pois, mais uma vez, não conseguiu acalmar os ânimos e se deixou levar pela mídia – seja ela considerada pelo leitor como golpista ou não, não importa aqui. Diziam que a defesa seria apresentada e que acusações feitas de forma leviana não colocariam em xeque a integridade política de Orlando. Colocaram. Afinal, ele deixou o cargo. O pulso firme de Dilma deveria ter sido mostrado nesta hora, enquanto provas ainda não apareceram. Provas, provas, provas. Palavra repetitiva, cansativa e que aparece no texto a todo instante. Menos nas denúncias.

Mídia. O Fantástico (TV Globo) exibiu uma matéria que apontava irregularidades no programa Segundo Tempo e apresentou as denúncias e defesas. Como diz o manual. Já a revista Veja, como de costume, não poderia deixar de estar no foco dos escândalos políticos do governo. A publicação ainda não divulgou as provas da denúncia. Opa! Como diria Galvão Bueno, “pode isso, Arnaldo?”. Na minha faculdade não. Sou da escola que ensina futuros jornalistas a ter documentos que comprovem denúncias. Caso contrário, não vale a pena nem publicar a reportagem.

João Dias, o delator/ foto: site Jornal Sport News

De “irregularidades no programa” a “ministro fazia parte de esquemas de corrupção” o salto é grande. Há quem banque, há quem divulgue. Se Orlando Silva, de fato, fazia parte do grupo corrupto, deveria ter caído por tais atitudes. Erros na gestão de programas têm poder de derrubar ministro? Deve-se avaliar cada caso. Fato concreto é que no Brasil, pelo jeito, a obrigação de apresentar provas se tornou de quem é acusado, não de quem acusa.

Orlando Silva. O discurso de que “provas não aparecerão” se mantém desde o início. Então, por que deixou o cargo? É certo que atividades irregulares no ministério foram encontradas, daí ele sair exige um estudo político maior sobre este caso. Um cientista político sabe opinar de forma mais complexa. O ex-ministro caiu por não suportar a pressão. Ora, quando não há nada de errado, não há o que temer, certo? O blog entende que ele deveria ter continuado até João Dias apresentar, de vez, os documentos que promete há duas semanas, ou, então, Veja publicá-los.

De forma alguma vamos colocar a mão no fogo por Orlando. No entanto, não concordaremos com matérias de denúncias sem provas, delator de esquemas de corrupção sem documentos e queda de ministro baseada em questões políticas como as vistas neste caso. É claro que questões políticas nomeiam e derrubam ministros – óbvio-, mas não as presenciadas este mês. Para o blog, as provas terão de aparecer para mostrar que a queda do ministro não foi a “barrigada da mídia” do ano. O editor-chefe do jornal Alô Brasília, Lívio di Araújo, chegou a publicar no micoblog Twitter que as declarações de Dias são “o blefe do ano”.

Orlando Silva dá adeus ao ministério/ foto: blog do Puty

Aliás, vamos aguardar para ver durante quanto tempo João Dias demora para cair no esquecimento do veículo que o apresentou à população brasileira. Por sinal, antes de fechar o texto, é difícil de engolir o secretário-geral da Federação Interncional de Futebol (FIFA, em inglês), Jeróme Valcke, dar palpite na política brasileira.

Boa sorte a Aldo Rebelo, novo ministro dos Esportes.

Até a próxima!

Balanço político das últimas semanas

Para comentarmos os temas mais atuais da Política Nacional, vamos relembrar alguns fatos importantes

Filipe Matoso

Bem, você viu no último post que ficamos ausentes por duas semanas. Sem charges, comentários, matérias, etc. No entanto, muitos fatos aconteceram. O ex-ministro do Turismo, Pedro Novais (PMDB), perdeu o cargo e a Polícia Civil do Distrito Federal confirmou que o repórter Gustavo Nogueira Ribeiro, da revista Veja, tentou invadir o quarto de José Dirceu no hotel em que o ministro-chefe da Casa Civil durante o Governo Lula se hospeda em Brasília. Além disso, o ex-governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, desistiu da candidatura à prefeitura de Luziânia, nas próximas eleições municipais, em 2012. Portanto, vamos lá, caso a caso, falar um pouco de cada.

Pedro Novais deixa o Ministério do Turismo

Era questão de tempo. Antes mesmo de o Governo Dilma começar, o peemedebista já havia se envolvido em problemas, após uma denúncia do jornal O Estado de S. Paulo, na qual um fato inesperado foi divulgado: aos 80 anos, o então parlamentar havia utilizado verba da Câmara dos Deputados para pagar uma festa em um motel na capital maranhense, São Luis. Como publica Carta Capital, para evitar uma crise de início de governo, Dilma aceitou a versão do ministro recém-nomeado, tão esdrúxula como convincente, de que ele, sim, pagou a festa, mas não participou da tertúlia.

No decorrer dos oito meses em que esteve à frente do Turismo, Novais foi anunciado na mídia diversas vezes. A primeira realmente bombástica, foi durante a Operação Voucher, comandada pela Polícia Federal, na qual 38 pessoas foram presas na época, acusadas de desviar mais de R$ 10 milhões na pasta. Então, ninguém mais falou no ministro, a poeira baixou e tudo se acalmou.

Pedro Novais/ foto: blog Barra do Corda News

Daí entra o jornal Folha de S. Paulo. Duas reportagens publicadas no veículo serviram para decretar a saída de Pedro Novais do ministério. No dia 13 de setembro, o jornal noticiou que o ministro pagava as contas da governanta pessoal com salário de servidora da Câmara dos Deputados, durante sete anos, para a “secretária parlamentar”. Esta mulher não esteve sequer um dia no Congresso para trabalhar. Além disso, a mulher de Novais tinha como motorista particular Adão dos Santos Pereira. Nenhum problema, se ele não fosse funcionário da Câmara, contratado para o gabinete do deputado Francisco Escócio (PMDB-MA), do mesmo partido de Novais e da turma aliada ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-PA).

Nossa opinião é de que foi melhor para o Governo Federal ter Pedro Novais fora do Ministério do Turismo. Se na Marcha contra a Corrupção, realizada em Brasília no último dia 07 de setembro, havia uma faixa “Dilma da Puta, não faz nada!”, este cidadão estava errado. Pelo que parece, à medida em que pessoas do governo são descobertas envolvidas em supostos esquemas, saem do cenário político do qual Dilma é chefe. Vale ressltar que o blog não julga aqui Novais como corrupto, quem tem o poder para fazer tal afirmação é a Justiça, não nosso espaço.

Veja e a tentativa de invasão

No dia 18 deste mês, o site Brasil 247 noticiou que a investigação comandada pela 5ª Delegacia de Polícia Civil do Distrito Federal concluiu que um repórter de Veja tentou invadir o quarto de José Dirceu no hotel Naoum, onde o ministro durante o Governo Lula se hospeda em Brasília. O fato chegou a ser comentado duas vezes aqui no Blog do Filipe, várias pessoas elogiaram, outras disseram que o blog é petista e, no fim das contas, as suspeitas se confirmaram. A denúncia de uma simples camareira divulgada no blog de Dirceu resultou em uma investigação contra o repórter da revista da Editora Abril.

De acordo com o site, o delegado-chefe da 5ª DP, Laércio Rossetto, informou que o jornalista admitiu ter tentado entrar em um ambiente privado – no caso, vale ressaltar que era o quarto do petista. Talvez não haja muito o que comentar, pois o blog deixou bem clara a opinião em relação a este assunto nos últimos posts. Somente uma punição severa daria o exemplo. Imagine só se nada acontecer ao repórter e à revista, simplesmente será passado à população de que não há problemas em infringir a Lei e vale tudo para investigar a vida de uma pessoa, mesmo que você não seja policial ou apto para tal atitude.

O Poderoso Chefão, por Veja/ foto: site GSM Fans

Sem mais delongas, os defensores do Jornalismo Investigativo praticado pelo repórter Gustavo Nogueira Ribeiro devem ter ficado chateados com a polícia. Afinal, investigou o caso, como órgão competente (o que o repórter não é e pelo jeito não sabia, pois tentou entrar no quarto de Dirceu), e chegou a uma conclusão: Nogueira Ribeiro tentou violar a suíte coupada pelo petista. Segundo o Brasil 247, o resultado da investigação, apoiada em imagens do circuito interno do hotel, cópia dos depoimentos e outros documentos, foi encaminhado ao Juizado Especial Criminal de Brasília, que vai decidir se abre processo contra Gustavo. Confira a renúncia de Joaquim Roriz à candidatura nas eleições municipais de Luziânia-GO em 2012: Leia o resto deste post

Avaliação de Dilma em oito meses e Lula como candidato do PT em 2014

Presidenta mostra pulso firme e alguns jornalistas tentam criar mais um factóide envolvendo o PT

Filipe Matoso

Nesta semana, a revista Carta Capital completa 17 anos e traz uma edição especial de aniversário.  A publicação intitulada “O Brasil de Dilma” apresenta uma entrevista com a presidenta, artigos do senador Aécio Neves (PSDB-MG), Maria Rita Kehl, Delfim Netto, entre outros. Além disso, há um em especial, de Marcos Coimbra. Nele, o autor avalia o Governo Dilma e mostra de forma simples como foram os oito primeiros meses da petista à frente do Executivo.

A análise de Coimbra é muito boa. O autor apresenta três pontos cruciais para o Governo Dilma ser considerado, pela primeira vez, uma real sucessão da gestão anterior. No caso, chefiada por Luiz Inácio Lula da Silva. Os aspectos impressos na edição especial são citados abaixo.

Carta Capital 17 anos: O Brasil de Dilma/ Foto: Carta Capital

Coimbra diz que o primeiro ponto é o da real continuidade ao antecessor, afinal, “Collor não era isso para Sarney, Fernando Henrique se sentia maior que Itamar Franco, e Lula e ele haviam sido adversários (quase) a vida inteira”. Muito bom!

Posteriormente, o autor publica que Dilma não se encaixa no “tipo ideal” de presidente que existe em nossa cultura política. Coimbra diz ainda que a petista está longe de ter algo extraordinário ou excepcional, algo comum em antecessores. De fato não tem e mesmo assim leva o governo de forma legítima e com pulso firme.

Por fim, o terceiro aspecto é o de Dilma demonstrar menos disposição para considerar natural o que outros políticos achavam inevitável como, por exemplo, a corrupção em alguns ministérios. Não por acaso, a presidenta disse, “sem papas na língua”, que iria “lutar contra os mal feitos” da forma que fosse necessária.

Dilma Rousseff tem apoio de Veja e Carta Capital/ Foto: Exame.com

Carta Capital ganhou destaque ao praticamente enfrentar Veja nas eleições presidenciais do ano passado. Enquanto a revista ligada à Editora Abril colocava-se em defesa de José Serra e contra Dilma, a maior rival no campo político fazia o contrário, batia de frente e apresentava o lado petista da disputa. Não é necessário dizer se alguma agia de forma correta, ou não, pois essa opinião varia de acordo com o envolvimento político do leitor.

Voltando à Carta desta semana, o artigo de Maria Rita Kehl relembra que entre as principais diferenças entre Dilma e Lula está o fato de o ex-metalúrgico ter um jeito de pai dos brasileiros. Inclusive, chegou a nomear Dilma como mãe do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), sem ela ter essa imagem de carinhosa perante a sociedade. Dilma não. A presidenta tem pulso firme, age com a cara fechada e, como dizemos em Minas Gerais, “coloca os pingos nos is”. Entende?

Fosse José Serra à frente do Executivo em agosto de 2011, a luta contra a corrupção seria algo extraordinário, jamais visto na história do Brasil e um ato heróico de um homem predestinado a ser o melhor presidente do país. Com Dilma pode parecer não ser muito diferente, pois até a revista que mais atacou a petista nas últimas eleições, Veja, deu o braço a torcer e se apresentou como o novo apoio à presidenta.

Já nas questões políticas, Dilma arrumou encrenca. O combate à corrupção gerou, na verdade, o desligamento do PR da base aliada e o descontentamento do PMDB, após denúncias de supostos esquemas de corrupção. O curioso é ver partidos alegarem que Dilma não os defende e atua como a grande imprensa deseja. Engraçado ainda é perceber que a denominada pela imprensa “faxina no governo” é temida e a oposição se faz valer disso. Democratas se movem para criar uma comissão contra a corrupção e prometem divulgar nos veículos de comunicação os nomes de parlamentares que não a apoiarem.

Parece tudo uma bagunça. Enquanto Dilma age, de forma correta, ou não, partidos se rebelam e líderes do governo têm de se mexer para aprovar projetos em plenários no Congresso Nacional. Já a imprensa, elogia, aplaude. E a população? Os escândalos e questões econômicas fizeram a presidenta perder pontos na popularidade entre os eleitores.

Entretanto, se engana quem a vê em curva decrescente. Dilma tem a maior aprovação para os primeiros oito meses de governo, comprada aos antecessores. A petista parece mostrar para a sociedade que não possui o caráter paternal que tinha Lula, ou o de sempre conciliar-se para não perder apoio político. De fato, um presidente cai sem o respaldo do Congresso, assim como aconteceu com Collor. No entanto, Dilma parece ter coragem de enfrentar uma queda de braço contra os interesses políticos acima de tudo e isso incomoda, não é senador Alfredo Nascimento (PR)? Confira o post na íntegra: Leia o resto deste post

Afinal, a responsabilidade é de Sérgio Passos?

Alfredo Nascimento (PR-AM), ex-ministro dos Transportes, diz que orçamento da pasta cresceu muito enquanto teve Paulo Sérgio Passos à frente do setor

 Filipe Matoso

Na última semana, o ex-ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (PR-AM), tomou posse no Senado, após ser demitido pela presidenta Dilma Rousseff. Escândalos e denúncias à parte, Nascimento aproveitou o discurso no Congresso Nacional para falar de Paulo Sérgio Passos, ex-secretário-executivo da pasta e agora ministro.

“O Ministério dos Transportes já era uma das pastas com o maior volume de investimentos no PAC e, para o período aberto em 2011, registrava um aumento significativo em todos os projetos”, afirmou Nascimento. Sobre uma possível conversa com a presidenta Dilma, o senador afirma ter avisado à atual chefe do Executivo o grande crescimento do orçamento na pasta. “Coloquei o assunto para a presidenta e informei que já começara a trabalhar no ajuste”, disse o político.

Alfredo Nascimento/ Foto: portal UOL Notícias

Além disso, Nascimento afirmou em plenário: “quando saí, junto com a presidenta Dilma, então ministra, o PAC do Ministério dos Transportes significava um pacote de investimentos da ordem de R$ 58 bilhões. Quando retornei, já estava em R$ 72 bilhões”. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, a ministra do Planejamento (responsável pelo orçamento federal), Miriam Belchior, não se pronunciou sobre o caso.

À frente do ministério, na época, ficou o então secretário-executivo, Sérgio Passos.

Com isso, Nascimento quis dizer que quando saiu estava de um jeito e, ao retornar o ministério, o encontrou diferente. Dessa forma, joga uma parcela de culpa para Passos. Prato cheio para a oposição. Não à toa, o ministro dos Transportes terá de prestar esclarecimentos ao Congresso Nacional, após as declarações de Alfredo. Inclusive, o deputado federal Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA) defende a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no setor.

Se Nascimento é culpado, ou não, se Passos teve algo a ver com os problemas, somente investigações e esclarecimentos poderão resolver, não o blog. Entretanto, o foco será em Alfredo Nascimento. O senador jogou a bomba-relógio, então, para Passos.

As denúncias feitas pela revista Veja foram comentadas aqui no Blog do Filipe, pois havia muito tempo em que não se via tal qualidade. Além disso, chegamos a dizer que Dilma agia bem ao demitir todas as pessoas envolvidas em escândalos. No entanto, deixamos para comentar as declarações de Nascimento em outro texto. Confira a íntegra do comentário: Leia o resto deste post

Dilma mostra pulso firme com a crise nos Transportes

Atitudes tomadas pela presidenta mostram firmeza e afastamento da sombra de Lula

Filipe Matoso

A crise nos Transportes ainda não havia sido comentada aqui no Blog do Filipe. A corrupção descoberta e as atitudes ilícitas praticadas por várias pessoas ligadas ao Ministério dos Transportes e ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Trânsito (Dnit) parecem não ter fim. A cada dia, mais e mais falcatruas são divulgadas pela imprensa e o PR, principal partido envolvido nos esquemas até agora, aparece cada vez mais com a corda no pescoço.

Na última semana, jornais chegaram a veicular uma matéria na qual o líder do PR na Câmara, Lincoln Portela, havia dito: “Dilma está brincando com fogo”. Segundo as reportagens, a frase foi expressa após o elevado número de pessoas do partido demitidas dos órgãos ligados ao transporte público a nível nacional. Entretanto, Portela negou e desmentiu os veículos. Fato é que o peso maior caiu sobre as costas do partido, sim.

Ao fazer uma análise da história desde o começo, percebe-se um ponto crucial: Veja abriu as portas para a corrupção se tornar de conhecimento da população. Há muito tempo não se lia uma matéria tão profunda, apurada corretamente, séria e com repercussão tão grande na sociedade. Desde as eleições de 2010, a publicação perdeu público entre as pessoas mais “antenadas”.  Com a reportagem, relembrou os tempos de boas denúncias, páginas de jornalismo competente e por aí vai.

Aqui no blog, chegamos a publicar uma charge na última segunda-feira (25/7) com um quadro no qual havia os dizeres “empregado do mês” e uma foto de Dilma Rousseff. Nesta terça (26/7), a figura “Dilma 1×0 PIG” ainda refletiu o assunto. A presidenta foi muito bem ao demitir os envolvidos em todo o caso de corrupção e agiu da forma como deveria e se esperava de um político no cargo ocupado pela petista.

Por falar em Dilma, fria. A presidenta, por enquanto, está com nota 10, sob a avaliação do blog. Para a revista Carta Capital, a presidenta também gerencia a situação da melhor maneira. Demissões, novas nomeações, embate com o PR e firmeza. Circunstâncias vistas ao longo do último mês que credenciam Dilma e mostram que a petista não é apenas uma sombra de Lula no poder. Pelo jeito, parece agir de forma mais dura, o que pode ser considerado bom, de acordo com cada problema. Clique no link ao lado e confira o post na íntegra: Leia o resto deste post

O exemplo de Carta Capital para o Jornalismo Político

Edição desta semana dá aula a concorrentes

Filipe Matoso

Em um dos primeiros textos do Blog do Filipe, referente à cobertura da imprensa no período eleitoral do ano passado, você leu que era fundamental um posicionamento claro dos veículos de comunicação. Com isso, o blog propôs a jornais e revistas com cobertura política um jogo aberto com o leitor.

Criticaram tanto Carta Capital e Estadão por assumirem quem defenderiam nas eleições de 2010, Dilma e Serra, respectivamente, por dizerem que “o principal fundamento do Jornalismo é a imparcialidade e isso acabaria”. Ouvi diversas vezes pessoas afirmarem que Carta recebia verba do governo e o jornal impresso ganhava recursos do PSDB. Engano. 

Em julho do ano passado, a revista de Mino Carta, Leandro Fortes, Cynara Menezes, Antônio Luiz M Costa e companhia, afirmou que apoiaria Dilma Rousseff (PT). Isso foi motivo para dizerem que Mino receberia milhões dos governos Lula e Dilma. Após lerem a edição dessa semana, estas pessoas certamente ficaram de queixo caído e viram o que é Jornalismo imparcial.

Em julho de 2010, Carta Capital declarou apoio à Dilma nas eleições presidenciais

A capa “Quem, eu?” referente à matéria de Cynara Menezes sobre o enriquecimento rápido do ministro-chefe da Casa Civil, Antônio Palocci, foi surpreendente. Não vamos chegar a comentar sobre o caso Palocci aqui no blog, pois já está batido e há milhões de opiniões, charges, etc. Voltando à capa, muita gente não a esperava. Vale ressaltar que avaliamos apenas a imparcialidade da revista, pois não entraremos em questões político partidárias nesta conversa.

A britânica The Economist faz um trabalho semelhante ao da Carta. A publicação de língua inglesa sempre se posiciona nas eleições, mas jamais deixa de falar o que precisa dizer. Não acredito que Veja faria algo assim, caso as acusações fossem direcionadas aos chamados caciques do tucanato paulista. Espero um dia “quebrar a cara” e ler matérias sobre acusações contra políticos da direita.

Certamente não podemos nos esquecer do passado da revista da Editora Abril, principalmente no período da Ditadura, mas, hoje, Veja é praticamente uma vitrine para tucanos e democratas. Quem não se lembra do período das eleições no ano passado? Os níveis de Jornalismo e respeito para com o leitor eram praticamente nulos, por tamanhas bobagens publicadas semanalmente.

Na última edição Carta demonstra imparcialidade e derruba concorrentes cabos políticos

 Enfim, chega de rodear o assunto. A questão a qual o Blog do Filipe quer chegar é a de que Carta Capital, apesar de ser declarada apoiadora de Dilma, Lula e esquerda, mostrou como é que se faz Jornalismo imparcial. Independentemente do que Palocci fez ou deixou de fazer, Carta se mostrou capaz de apoiar o governo, mas sem passar a mão na cabeça, como uma mãe.

 Por não esperar isso de alguns veículos concorrentes, digo e repito: assino Carta Capital e hoje a vejo como a melhor revista de Política do país.

 Além disso, digo mais. Não vejo problema algum em um veículo apoiar um político ou outro. Pelo contrário. O defendo, pois acho que assim se joga mais limpo com o leitor e não tenta enganá-lo ao se dizer imparcial com matérias tendenciosas e de baixo nível.

O mais importante é entender que o Jornalismo deve ser imparcial, mas pode, quando necessário, elogiar o que estiver bem e denunciar o que estiver errado.

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