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As roubadas em que jornalistas se metem por causa de furos
Fontes passam informações, jornalistas não checam e publicam imensas bobagens
Filipe Matoso
Furo. Esta palavra tem um significado especial no Jornalismo. Conseguir uma matéria inédita é algo muito bom e, dependendo do impacto na sociedade, pode render prêmios ao profissional, além de a moral com o chefe ir lá em cima. Todo jornalista busca um dia “dar um furo” e postar no veículo em que trabalha uma reportagem que ninguém esperava.
O problema é que os furos são “alimentados” por fontes (pessoas que passam as informações) e muitas vezes a verdade não condiz com o que foi passado. Por exemplo, isso é muito comum quando alguém supostamente morre. Um sujeito telefona para um jornalista, o profissional publica a informação, muitos veículos a reproduzem, e, no fim das contas, o cidadão não tinha morrido.
O problema de dar o furo é que o jornalista deixa o corpo a 50 graus e não consegue pensar direito. Hoje aconteceu isso. O promoter Amin Khader foi “assassinado” pela imprensa, enquanto está vivo. Além disso, a TV Record chegou a noticiar o falecimento do sujeito. Como diria o narrador do canal SporTV, Milton Leite, “Meeeeu Deus!”. Que absurdo! O cara não morreu!
Entretanto, houve outro furo importante hoje noticiado pela imprensa. O jornal Correio Braziliense deu em primeira mão que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, iria declarar hoje o apoio oficial do Brasil à candidatura de Christine Lagarde à presidência do Fundo Monetário Internacional (FMI). Não deu outra. O anúncio foi feito.
Por sinal, por volta das 14h45 desta terça-feira (28/6), a francesa foi nomeada a diretora-gerente do fundo e substitui Dominque Strauss-Kahn. Ela será a primeira mulher a ficar à frente da instituição. “Me sinto honrada e feliz”, postou Lagarde no Twitter.
Portanto, a sede por furos deve ser contida. É melhor um jornalista perceber o momento de dar a notícia inédita a se antecipar a todos e passar vergonha. O colunista de Política Alon Feuerwerker (Correio Braziliense) publicou no Twitter: “jornalista que escreve sobre o que não sabe pode passar vergonha”. O blog o completaria: “… e, além disso, repórter que tenta dar um furo e depois descobre que tudo foi apenas um mal entendido também pode”.
