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Patrus Ananias diz à Folha que situação do PT em BH não está boa
Petista confirma ao jornal que legenda está dividida para as próximas eleições
Filipe Matoso
Ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome durante o Governo Lula, Patrus Ananias é um dos principais líderes políticos do PT em Minas Gerais. Ele foi prefeito de Belo Horizonte e hoje os rumores são de que o PT-BH está dividido em quem o apoia e em quem defende Fernando Pimentel, atual ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. No entanto, Ananias nega e diz à Folha: “tive – não terei mais -, algumas disputas com o Fernando, mas a nossa relação de amizade foi rigorosamente preservada”.
De acordo com a reportagem de Paulo Peixoto publicada na última segunda-feira (12/12) no caderno Poder, Patrus afirmou que o PT precisa construir uma unidade partidária na capital mineira para as próximas eleições. Além disso, “a situação não é boa”. Outro líder petista em Minas, Nilmário Miranda disse algo parecido no microblog Twitter, quando afirmou que é necessário a legenda definir um posicionamento até 15 de janeiro.
E de onde surgiu esse imbróglio? Em 2008, o PT (Fernando Pimentel) e o PSDB (Aécio Neves) se uniram para eleger Márcio Lacerda (PSB) para prefeito nas eleições municipais. Como afirma a Folha, Patrus se distanciou da campanha por não concordar com o posicionamento do ministro do Governo Dilma. Não só ele. Muitos eleitores também. Inclusive, percebi que as pessoas que pensavam da mesma maneira de Patrus votaram em Leonardo Quintão, hoje deputado federal pelo PMDB mineiro.
Para não prolongar muito, vou direto à opinião. Concordo com Patrus e Nilmário. A união entre o PT e o PSDB em BH para apoiar um candidato do PSB é uma história confusa. A manobra de Pimentel e Aécio enfraqueceu, e muito, os petistas na capital mineira. Não há como negar e isso não é um ataque ao ministro do Desenvolvimento. Certo é que se o Partido dos Trabalhadores não adotar uma posição unificada, o reflexo será sentido nos militantes filiados e eleitores, que se dividirão e, provavelmente, enfraquecerão ainda mais a legenda.
Até a próxima!
Ministros saem em defesa de Pimentel
Desta vez, Ideli Salvatti afirmou que o petista tem total apoio de Dilma Rousseff
Filipe Matoso
A ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, foi mais uma a se pronunciar sobre a situação política do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel (PT-MG). Nesta segunda-feira (12/12), Ideli afirmou que o ex-prefeito de Belo Horizonte tem apoio de Dilma Rousseff. Além dela, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse na sexta-feira (9/12) que o Governo, entenda Dilma, aceitou as explicações dadas por Pimentel sobre as consultorias que fez entre 2009 e 2010, período em que não ocupava cargos públicos.
De acordo com o jornal O Globo, em uma matéria publicada no domingo (4/12), Pimentel recebeu R$ 2 milhões pela empresa P-21 Consultoria e Projetos Ltda., da qual é dono, entre 2009 e 2010. O jornal também mostrou que ele teria recebido R$ 400 mil de uma empresa que pertence ao filho de um sócio. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, esta empresa manteve contrato com a Prefeitura de Belo Horizonte quando Pimentel era chefe do Executivo municipal. Ou seja, a suspeita é que o mineiro teria recebido dinheiro de forma indevida.
Em entrevista coletiva, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse que “há, sim, hipóteses de corrupção com benefícios aferidos em razão da proximidade dele com o poder ou com a expectativa de poder”. Em relação a uma possível convocação de Pimentel para prestar esclarecimentos ao Congresso, o líder no Governo na Câmara, Cândido Vacarezza (PT-SP), disse que há grupos que estão procurando pelo em ovo. “Não tem nada a ver a discussão do Pimentel na Casa. Por isso, nós não vamos permitir o convite ao ministro Pimentel”.
À TV Globo, o mineiro afirmou que tem como provar os serviços prestados, mas em dois casos diz ter firmado acordos verbais. “Eu não era mais prefeito [de Belo Horizonte], ainda não era ministro, deputado, nem senador. Trabalhei como economista, fui remunerado pelo trabalho, emiti notas fiscais e paguei os tributos. Não tem nada de irregular”, afirmou.
Para o blog, Pimentel deve comprovar que não cometeu nenhuma irregularidade entre 2009 e 2010. Seja por tráfico de influência ou enriquecimento ilícito. No entanto, não é uma onda de demissões de ministros que vai tornar o Governo Dilma eficiente. É necessário ter cautela, pois não pode ser instalada no país uma onda de denuncismo. É necessário apurar o que aconteceu e, se forem comprovadas atitudes imorais por parte Pimentel, que ele seja demitido. No entanto, se o Ministério Público ou qualquer órgão competente estudar o caso e entender que não houve nada de errado, o correto a fazer é o jornal O Globo dar o direito de resposta ao petista.
Até a próxima!
Os políticos sem ficha suja
Nem todos os parlamentares estão envolvidos em esquemas de corrupção, como diz o pensamento comum
Filipe Matoso
Tem frase mais chata que “todo político é ladrão”? As pessoas repetem isso de forma automática e o discurso já é tão batido que parece bobo. Isso. Como um argumento de uma criança de seis anos que apenas chama a outra de boba. “Toda generalização é burra”, já dizia o autor dessa frase. E é mesmo. Afirmar categoricamente que todo político é corrupto é imaturo, intransigente e impensado. É claro que há casos escandalosos, que não há como negar o envolvimento de um parlamentar A ou B em um esquema de desvio de verba, por exemplo. Mas há casos e casos.
De acordo com o site Transparência Brasil, 60% dos deputados federais (308) têm algum processo contra eles correndo na Justiça. O que não quer dizer eles tenham sido condenados, é claro. Há parlamentares que possuem oito ações movidas, inclusive por ações de improbidade administrativa e condições de trabalho análogas ao de escravo. Outro levantamento feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que apenas 8% dos brasileiros confiam nos partidos. Enquanto isso, o PMDB é a legenda com mais processos na Justiça.
O ex-ministro do Turismo Pedro Novais, que é do PMDB do Maranhão, se recusou a responder as perguntas feitas por Mônica Iozzi, do CQC (TV Bandeirantes). Vale lembrar que ele deixou a pasta por acusações de envolvimento em atitudes irregulares. O Estado de Mato Grosso é o que possui o maior número de parlamentares com processos, cerca de 69% dos atuantes.
Para os mais pessimistas, vale dizer que nem tudo está perdido. O deputado federal pelo PT de Minas Gerais João Carlos Siqueira, conhecido como Padre João, não possui um processo contra ele. O blog conversou com o parlamentar. Confira abaixo:
O que significa saber que um político não tem processos judiciais contra ele?
De um lado, expresso a tranquilidade de não ter feito algo que merceça processos. Me dedico a sempre estar na legalidade, o que é um dever nosso, claro. Como legislador, ajudo a elaborar projetos de lei, nós temos que dar o exemplo para a sociedade. Às vezes, esbarramos em algumas situações que a lei é considerada injusta. Neste caso, devemos, então, achar uma forma de modificar a lei para que a população seja beneficiada.
Antes de votar, o senhor pesquisa o histórico do candidato?
Não somente antes votar. Como muitos políticos pedem apoio, penso muito antes de apoiar candidaturas. É uma mesa dobrada. Eu procuro olhar isso, levar os dados das pessoas em conta, porque há uma verdade: há processos e processos. Temos que destruir aqueles políticos que têm vestígios bem claros de atitudes ilegais. Aquele tipo de pessoa que tem relações comprometidas, sejam com a sociedade ou com a ética, não devem ser apoiadas, nem votadas. Procuro ,sem dúvidas, saber o histórico da pessoa que voto e dou apoio político.
Algum político já chamou o senhor para participar de esquemas ilícitos?
A gente é sempre assediado. O poder do deputado não está no que ele recebe em dinheiro, mas nas portas que ele é capaz de abrir. Assédios existem e acontecem praticamente todos os dias. Comigo acontecem menos do que sei que acontecem com outros. Como dizia minha mãe, assombração sabe quem deve procurar. Nos bastidores correm as falas. Os grupos, formado por essas pessoas sem caráter, são profissionais. Eles sabem com quem mexer. Desta forma, sabem também com quem não mexer.
O senhor defende ou é contra a Lei da Ficha Limpa? Quando deveria ser colocada em prática?
Esta lei é uma conquista que, infelizmente, não passou a valer nas eleições do ano passado. Com certeza será um instrumento para as eleições municipais de 2012. Tomara que começe a valer o quanto antes. Muitas lideranças buscam mecanismos em outras leis, para conseguir barrar o projeto. Nesse sentido, acredito que a partir de 2012 nós teremos uma boa peneira,pois, assim, os melhores candidatos disputarão os cargos de vereadores e prefeitos. Sem dúvidas, quando a Ficha Limpa for colocada em prática a Política vai ganhar, a sociedade e as políticas públicas serão melhores.
Até a próxima!


