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Unidade política nos partidos pode estar com os dias contados

Legendas com ideologias contrárias têm se unido para políticos conseguirem cargos

Filipe Matoso

Cresci em uma época em que PT e PSDB realmente batiam de frente. Em Belo Horizonte, quem era PT, era PT. Se fosse tucano, todos os votos eram no 45. Lá na cidade onde passei 12 anos, o PSB é forte e o PMDB também. No entanto, alguma coisa mudou. De uns tempos para cá, petistas votam em candidato do PSB apoiado pelo PSDB. Ahn? É isso mesmo. Parece estranho, mas é uma tendência. Pode ser que a moda acabe, mas há chances de continuar.

O problema não está em partidos adversários se unirem. De forma alguma. Vamos supor que PT e PSDB se juntem para lançar um candidato à prefeitura de São Paulo. Além disso, PMDB, DEM e PSD se aliam e lançam o adversário. Tudo ok. O problema é que se partidos com ideologias contrárias começarem a se unir, como os políticos governarão? Quer dizer, imagine um petista mais preocupado com a Economia e um peessedebista com a área social. Parece difícil entender. No entanto, a existência de cargos por indicação política faz com que eles se unam e o eleitor perca a identificação com a sigla em que votou a vida inteira.

PT-BH

PT e PSDB se uniram em MG/ foto: UOL Notícias

Em Belo Horizonte, em 2008, o então prefeito da capital mineira, Fernando Pimentel (PT), se uniu ao então governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), para que Márcio Lacerda (PSB) fosse eleito. De fato, foi. O adversário, Leonardo Quintão (PMDB), não venceu a aliança inesperada entre vermelhos e azuis. Opa! Aliança parcial. Pois, parte dos eleitores petistas não concordou com o aperto de mãos entre Pimentel e Aécio e votou em Quintão. Para 2012, há dezenas de suposições. Certo é que o PT, que governava a cidade desde 1993, se dividiu, ficou enfraquecido e dificilmente conseguirá eleger um candidato se disputar as eleições sem apoio político.

Qual é ideologia atual do PMDB?/ foto: Blog do Caramuru

PMDB – Brasil

Historicamente, de que lado está o PMDB? Não sei. Na verdade, em cada canto do país o partido tem uma ideologia. No Rio Grande do Sul apoia um, em São Paulo apoia outro e na Bahia se dá melhor com um terceiro. Ou seja, qual é a identidade política do PMDB? Não se sabe ao certo. O partido está entre os três maiores do Brasil e, aí, entra uma questão muito poderosa. Número de eleitores. Para qualquer sigla, ter o apoio do PMDB é fundamental, sem dúvidas. Dessa forma, a legenda aperta as mãos de quem for mais interessante. Unidade política? O PMDB não tem. Se isto está errado, somente um cientista político para opinar. Fato é que a ausência de uma ideologia mais forte deixa o partido meio que lá e cá. Entende? Veja o comentário na íntegra e saiba sobre a divisão do PSDB no Rio de Janeiro, a falta de ideologia no PSD e a opinião do blog: Leia o resto deste post

Balanço político das últimas semanas

Para comentarmos os temas mais atuais da Política Nacional, vamos relembrar alguns fatos importantes

Filipe Matoso

Bem, você viu no último post que ficamos ausentes por duas semanas. Sem charges, comentários, matérias, etc. No entanto, muitos fatos aconteceram. O ex-ministro do Turismo, Pedro Novais (PMDB), perdeu o cargo e a Polícia Civil do Distrito Federal confirmou que o repórter Gustavo Nogueira Ribeiro, da revista Veja, tentou invadir o quarto de José Dirceu no hotel em que o ministro-chefe da Casa Civil durante o Governo Lula se hospeda em Brasília. Além disso, o ex-governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, desistiu da candidatura à prefeitura de Luziânia, nas próximas eleições municipais, em 2012. Portanto, vamos lá, caso a caso, falar um pouco de cada.

Pedro Novais deixa o Ministério do Turismo

Era questão de tempo. Antes mesmo de o Governo Dilma começar, o peemedebista já havia se envolvido em problemas, após uma denúncia do jornal O Estado de S. Paulo, na qual um fato inesperado foi divulgado: aos 80 anos, o então parlamentar havia utilizado verba da Câmara dos Deputados para pagar uma festa em um motel na capital maranhense, São Luis. Como publica Carta Capital, para evitar uma crise de início de governo, Dilma aceitou a versão do ministro recém-nomeado, tão esdrúxula como convincente, de que ele, sim, pagou a festa, mas não participou da tertúlia.

No decorrer dos oito meses em que esteve à frente do Turismo, Novais foi anunciado na mídia diversas vezes. A primeira realmente bombástica, foi durante a Operação Voucher, comandada pela Polícia Federal, na qual 38 pessoas foram presas na época, acusadas de desviar mais de R$ 10 milhões na pasta. Então, ninguém mais falou no ministro, a poeira baixou e tudo se acalmou.

Pedro Novais/ foto: blog Barra do Corda News

Daí entra o jornal Folha de S. Paulo. Duas reportagens publicadas no veículo serviram para decretar a saída de Pedro Novais do ministério. No dia 13 de setembro, o jornal noticiou que o ministro pagava as contas da governanta pessoal com salário de servidora da Câmara dos Deputados, durante sete anos, para a “secretária parlamentar”. Esta mulher não esteve sequer um dia no Congresso para trabalhar. Além disso, a mulher de Novais tinha como motorista particular Adão dos Santos Pereira. Nenhum problema, se ele não fosse funcionário da Câmara, contratado para o gabinete do deputado Francisco Escócio (PMDB-MA), do mesmo partido de Novais e da turma aliada ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-PA).

Nossa opinião é de que foi melhor para o Governo Federal ter Pedro Novais fora do Ministério do Turismo. Se na Marcha contra a Corrupção, realizada em Brasília no último dia 07 de setembro, havia uma faixa “Dilma da Puta, não faz nada!”, este cidadão estava errado. Pelo que parece, à medida em que pessoas do governo são descobertas envolvidas em supostos esquemas, saem do cenário político do qual Dilma é chefe. Vale ressltar que o blog não julga aqui Novais como corrupto, quem tem o poder para fazer tal afirmação é a Justiça, não nosso espaço.

Veja e a tentativa de invasão

No dia 18 deste mês, o site Brasil 247 noticiou que a investigação comandada pela 5ª Delegacia de Polícia Civil do Distrito Federal concluiu que um repórter de Veja tentou invadir o quarto de José Dirceu no hotel Naoum, onde o ministro durante o Governo Lula se hospeda em Brasília. O fato chegou a ser comentado duas vezes aqui no Blog do Filipe, várias pessoas elogiaram, outras disseram que o blog é petista e, no fim das contas, as suspeitas se confirmaram. A denúncia de uma simples camareira divulgada no blog de Dirceu resultou em uma investigação contra o repórter da revista da Editora Abril.

De acordo com o site, o delegado-chefe da 5ª DP, Laércio Rossetto, informou que o jornalista admitiu ter tentado entrar em um ambiente privado – no caso, vale ressaltar que era o quarto do petista. Talvez não haja muito o que comentar, pois o blog deixou bem clara a opinião em relação a este assunto nos últimos posts. Somente uma punição severa daria o exemplo. Imagine só se nada acontecer ao repórter e à revista, simplesmente será passado à população de que não há problemas em infringir a Lei e vale tudo para investigar a vida de uma pessoa, mesmo que você não seja policial ou apto para tal atitude.

O Poderoso Chefão, por Veja/ foto: site GSM Fans

Sem mais delongas, os defensores do Jornalismo Investigativo praticado pelo repórter Gustavo Nogueira Ribeiro devem ter ficado chateados com a polícia. Afinal, investigou o caso, como órgão competente (o que o repórter não é e pelo jeito não sabia, pois tentou entrar no quarto de Dirceu), e chegou a uma conclusão: Nogueira Ribeiro tentou violar a suíte coupada pelo petista. Segundo o Brasil 247, o resultado da investigação, apoiada em imagens do circuito interno do hotel, cópia dos depoimentos e outros documentos, foi encaminhado ao Juizado Especial Criminal de Brasília, que vai decidir se abre processo contra Gustavo. Confira a renúncia de Joaquim Roriz à candidatura nas eleições municipais de Luziânia-GO em 2012: Leia o resto deste post

Helicópteros da PM do Maranhão estão a serviço de Sarney

Presidente do Senado utiliza helicóptero da Polícia Militar para fazer viagem particular

Filipe Matoso

Na útlima semana, principais jornais do país destacaram as viagens feitas pelo senador José Sarney (PMDB-AP) em um helicóptero da Polícia Militar do Maranhão. O motivo dos voos: interesse particular e desembarque na Ilha de Curupu, onde tem uma casa e é a ilha particular do peemedebista. A aeronave custou cerca de R$ 16,5 milhões aos cofres públicos do governo maranhaense e do Ministério da Justiça. Vale ressaltar que a governadora do Maranhão é a também peemedebista Roseana Sarney, 58 anos, filha do presidente do Senado.

José Sarney/ Foto: site do jornal O Globo

O helicóptero foi comprado ano passado para combater o crime e socorrer emergências médicas. Em defesa, Sarney afirmou que as utilizações da aeronave em duas ocasiões neste ano “não prejudicaram ninguém”. Engano dele, pois prejudicaram, sim. Em reportagem veiculada no jornal Folha de S. Paulo, foi publicado que o pedreiro Aderson Ferreira Pereira, 40 anos, precisava de atendimento médico por estar com traumatismo craniano e clavícula quebrada. No entanto, a ajuda chegou com atraso por causa do desembarque de bagagens do presidente do Senado.

Por mais que o pedreiro não precisasse de ajuda, Sarney dizer que a má utilização do helicóptero não prejudicou ninguém é quase um deboche. Fazer uso indevido de uma aeronave comprada por mais de R$ 16 milhões para atender a socorros médicos e combater o crime da forma como o fez prejudicou, sim, a população.

Em Belo Horizonte, o prefeito Márcio Lacerda (PSB) fretou aeronaves nos últimos dois anos de forma legal, mas, ao mesmo tempo, com moral questionável.
Neste caso, os cofres públicos da cidade desembolsaram quase R$ 1 milhão em fretamento de aviões, enquanto poderiam gastar apenas R$ 52 mil, caso Lacerda tivesse feito viagens em empresas de carreira (TAM, GOL, Azul, WebJet, etc). Na ocasião, o prefeito não prejudicou ninguém de forma direta, mas o ato é questionável.

Além disso, imagine que um homem formado em Direito, advogado, sempre vai a festas e fuma cigarros de maconha. Ele diz que não faz mal a ninguém pegar uma “lombrinha básica”. Não, ele não prejudica. O advogado dá dinheiro para traficantes, estes ficam poderosos, compram armas, drogam mais pessoas, incentivam roubos, violência, mortes, e tudo o mais. Quer dizer, realmente um cigarrinho a mais ou a menos não prejudica ninguém.

Percebem em que lugar pretende chegar o Blog do Filipe? A atitude de Sarney que não fez mal a ninguém foi uma forma, sim, de prejudicar a sociedade. Imagine se essa moda pega. Governadores, deputados e senadores começam a embarcar em helicópteros dos Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Federal, com o objetivo de pousarem em ilhas particulares, no litoral brasileiro.

Imagine o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, proprietário de uma ilha no Paraná. As passagens aéreas estão caras, não há espaço nos voos no dia que ele deseja viajar, etc. Então, o político resolve “pegar emprestado” um avião da polícia da capital paulista. O transporte, feito em mais ou menos três horas e meia (ida e volta), serve para o prefeito viajar. Então, neste período nenhuma ocorrência precisa de ajuda aérea. Portanto, Kassab não prejudica ninguém. Curioso, não?

Exite uma frase que diz o seguinte: seria cômico, se não fosse trágico. Foi isso o que aconteceu no caso de Sarney. Inlcusive, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) alegaram inconstitucionais as atitudes de Sarney. Além disso, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) afirmou que os voos foram irregulares. Claro!

As atitudes de Sarney são, sem dúvida, questionáveis. Se houve má intenção, irregularidades, atos ilegais, é a Justiça quem dirá. No entanto, podemos afirmar aqui no blog que somos contra as viagens feitas pelo presidente do Senado. Além disso, não compactuaremos com atitudes que colocam o interesse particular acima das necessidades da população. Afinal, são representantes dos eleitores e não fossem os votos, jamais ocupariam tais cargos.

Mal-estar beira relações entre governo e base aliada

Atitudes de Dilma têm incomodado partidos que a apoiam no Congresso

Filipe Matoso

Partidos da base aliada do Governo Dilma na Câmara dos Deputados têm se mostrado incomodados com atitudes da presidenta. No caso do PR, a legenda, que deixou a base no Senado, começou a ter problemas após as denúncias de supostos esquemas de corrupção no Ministério dos Transportes. As atitudes de Dilma fizeram com que caciques da sigla declarassem que “o PR não é lixo e a presidenta deveria saber disso”.

À frente da pasta, estava Alfredo Nascimento (PR-AM), hoje senador, e mais de 20 pessoas envolvidas em ações ilegais foram afastadas dos órgãos ligados ao ministério.

Cândido Vacarezza/ Foto: blog liderança do PT

Já o PMDB se irritou após a Operação Voucher, da Polícia Federal, que chegou a prender 37 pessoas ligadas ao Ministério do Turismo na terça-feira (9/8). Por sinal, 18 foram soltas na última quarta-feira (10/8). O incômodo se tornou tão grande que parlamentares deixaram de votar vários projetos propostos para esta semana.

Segundo o líder do Governo na Câmara, Cândido Vacarezza (PT-SP), havia, sim, um estresse na base aliada e por isso resolveu não “forçar a barra”, como publicado no portal de notícias G1 Política. O petista assegurou ainda que as votações retomam à normalidade na próxima semana. É esperar para ver.

Dia agitado na Política em Brasília

Declarações do ministro da Fazenda e prisões no Ministério do Turismo movimentam o noticiário político

Filipe Matoso

Nesta terça-feira (9/8), Brasília se agitou com o noticiário político. A entrevista coletiva do ministro da Agricultura, Wagner Rossi, sobre as acusações de corrupção na pasta e a Operação Voucher, da Polícia Federal, em três Estados, se tornaram manchetes nos principais veículos. Em meio a escândalos políticos, a imagem de Dilma Rousseff não está abalada, como apontam os institutos de pesquisa nacionais. Entretanto, hoje não é dia de falar da presidenta, mas, sim, de todo o governo.

Entre os ministros nomeados por Dilma, alguns foram escolhidos pela chefe do Executivo, outros sob a influência de Lula e os demais, como de costume, surgiram das negociações partidárias entre governo e legendas. Nos seis primeiros meses, três caíram e vários se complicaram.

Por exemplo, Fernando Haddad (Educação), Guido Mantega (Fazenda) e Ana de Hollanda (Cultura) balançaram,e muito, nos cargos. Já Antônio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes) e Nelson Jobim (Defesa) não suportaram a pressão e foram demitidos por Dilma. Em cada caso, há razões e fatos específicos e poderíamos fazer um texto para cada. Portanto, ficaremos no chamado “por alto” e não aprofundaremos.

Wagner Rossi/ Foto: site AgroNews

Nesta terça, outros dois ministros do governo tiveram perto de pisar na corda bamba. Após denúncias de suposto esquema de corrupção no Ministério da Agricultura, Wagner Rossi teve de se explicar. Apesar da queda do secretário-executivo (segunda figura mais importante) da pasta, Rossi permaneceu. “Estou no cargo firme como uma rocha”, disse o ministro nesta manhã, segundo o portal de notícias G1 Política.

Já no Ministério do Turismo, “o trem ficou feio”, como dizem os mineiros. A Operação Voucher, comandada pela Polícia Federal, prendeu 38 pessoas ligadas ao ministério em três Estados: Distrito Federal, Amapá e São Paulo. As acusações são as de que há esquemas de corrupção na pasta nos assuntos que envolvem destinação de emendas parlamentares para a promoção do Turismo no país. Além disso, o secretário-executivo, Frederico Costa, também foi preso.

Por conta das prisões, o ministro Pedro Novais (PMDB), que estava em atividade em São Paulo, recebeu a ordem da presidenta Dilma para retornar urgentemente a Brasília, segundo repórteres do canal por assinatura Globo News. Os políticos devem se reunir ainda hoje para discutir o assunto. Por sinal, novidades sobre a permanência do ministro no cargo, ou não, podem ser divulgadas a qualquer momento aqui no Blog do Filipe. Confira o post na íntegra: Leia o resto deste post

A queda (já esperada) de Nelson Jobim

Peemedebista deixa o cargo de ministro da Defesa após inúmeras declarações polêmicas

Filipe Matoso

Nelson Jobim (PMDB) foi demitido do cargo de ministro da Defesa pela presidenta Dilma Rousseff, na noite da última quinta-feira (4/8). Segundo o repórter Valdimir Netto (Jornal da Globo), a conversa durou apenas cinco minutos e o tempo foi o suficiente para Jobim apenas entregar a carta de demissão à presidenta.

Como bem definiu a comentarista do programa Bom Dia Brasil (TV Globo), Zileide Silva, “Jobim morreu pela boca”. As consecutivas declarações polêmicas do ex-ministro tornaram a situação “insustentável”, como disse o também comentarista do canal Globo News, Gerson Camarotti.

Parecia questão de tempo. O ex-ministro não tinha mais condições políticas de permanecer no governo. Há uma semana, chegou a declarar que votou em José Serra (PSDB) nas últimas eleições presidenciais. Além disso, durante as comemorações do aniversário de 80 anos do ex-presidente FHC, disse que tinha de tolerar a convivência com “idiotas” e que eles tinham perdido a modéstia. Jobim afirma que falou desta forma de jornalistas, mas petistas não entenderam dessa maneira. Por fim, em entrevista à revista Piauí, disse que a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, “é muito fraquinha” e afirmou ainda que a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, “sequer conhece Brasília”.

Nelson Jobim chegou a dar entrevista na última viagem como ministro, no Mato Grosso, e afirmou pouco tempo antes de ser demitido que as declarações não foram no sentido “pejorativo” e que havia deturpações sobre o que realmente havia sido falado por ele. O ex-presidente Lula chegou a comentar o caso e disse que “até Pelé jogando mal seria retirado pelo treinador do time”. Por falar em Lula, o sucessor de Jobim à frente da Defesa será Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores do governo anterior.

Como disse Zileide Silva, Jobim morreu pela boca/ Foto: site da revista Veja

Jobim é o terceiro caso de queda de ministro no Governo Dilma. Na Casa Civil, Antônio Palocci (PT) deixou o cargo após um grande enriquecimento sem provas da origem do dinheiro. Alfredo Nascimento (PR) chefiava os Transportes quando a revista Veja publicou uma matéria na qual supostos esquemas de corrupção na pasta foram divulgados.

A diferença entre a queda dos três ministros é que Palocci saiu após se complicar politicamente, Nascimento caiu por denúncias de corrupção e Jobim “forçou” a saída. Sobre essa história de dizerem que ele queria sair, somente o ex-ministro poderá dizer. O fato é que ele deu, sim, uma impressão de que tinha a intenção de deixar o governo.

Como dissemos aqui no Blog do Filipe, no campo político as declarações do ex-ministro da Defesa eram praticamente inaceitáveis. Foram três vezes somente em 2011 que o peemedebista se complicou com PT e Planalto. Leia o post na íntegra: Leia o resto deste post

Ministro de Dilma, Jobim diz que votou em Serra nas últimas eleições

Nelson Jobim, atual ministro da Defesa, declara voto em tucano José Serra, principal adversário de Dilma em 2010

Filipe Matoso

Na última quarta-feira (27/7), o caderno Poder do jornal Folha de S. Paulo divulgou uma entrevista com o ministro da Defesa, Nelson Jobim. Foram feitas várias perguntas, mas uma em especial chamou a atenção pela resposta: Jobim afirmou ter votado em José Serra (PSDB) nas eleições presidenciais de 2010, nas quais o tucano enfrentou Dilma Rousseff (PT) – atual chefe do ministro – e perdeu.

Amigo íntimo confesso de Serra, Jobim afirmou durante a entrevista que tanto Lula quanto Dilma sabiam em quem ele iria votar. O ex-ministro de FHC e Lula é filiado ao PMDB e esta é a segunda vez que mostra ser simpatizante do PSDB durante o Governo Dilma. É necessário entender que Jobim causa a revolta em aliados do governo, pois participa dele e votou no principal adversário da presidenta.

Como cidadão comum, Nelson Jobim deve votar em quem quiser, contar para outras pessoas – se preferir – e não haverá repercussão, no máximo uma discussão entre amigos. Como ministro do Governo Dilma, Jobim deve continuar votando em quem quiser, contar para algumas pessoas – também se preferir-, mas haverá (grande) repercussão, se não for em quem a maioria espera. Isso parece óbvio.

Jobim e as declarações polêmicas...

Questões políticas que envolvem um ministro de Estado devem ser percebidas por quem ocupa o cargo. Jobim, como político à frente da Defesa, deveria ser menos liberal e mais contido. É claro que não há problema algum em ele ter votado em Serra, ser amigo do tucano, etc. Entretanto, não pega bem dizer que votou no paulista, uma vez que é ministro de Dilma, principal adversária do político nas últimas eleições presidenciais. Na esfera política, as declarações tornam-se, sim, uma arma contra Jobim.

Sobre a relação do ministro com o ex-presidente Lula e com a presidenta, Jobim diz que é ótima, não há obstáculos e vê toda essa situação de forma muito natural. Se Dilma e o ex-metalúrgico aceitam o voto do peemedebista em Serra, parabéns – sinal de maturidade. Entretanto, os comentários indignados feitos por filiados ao PT e políticos do partido são perfeitamente compreensíveis também. Clique no link ao lado e confira o post na íntegra: Leia o resto deste post

Prévias nos partidos estendem a influência da democracia

Eleições municipais acontecem em 2012 e PSDB e PT devem passar por prévias para a candidatura à prefeitura de São Paulo

Filipe Matoso

As eleições municipais de 2012 estão longe. O assunto ainda é muito frio para ser discutido e não vale um texto, certo? Errado. Partidos começaram a se movimentar no começo deste ano e agora parece que o tema é tratado de forma mais séria. Para a prefeitura de São Paulo, PT, PSDB, PMDB e PSD bolam estratégias e traçam planos para faturar no próximo ano.

No PMDB, é praticamente certo o anúncio de Gabriel Chalita como candidato do partido. Já no PSD, alguns nomes começam a circular com mais intensidade, mas ainda não há um favorito. Sobre PT e PSDB, as duas legendas parecem agir da mesma maneira. Alckmin, tucano governador do Estado de São Paulo, defende as eleições prévias dentro do partido. Já no PT, o ministro da Educação, Fernando Haddad, e a senadora Marta Suplicy são os nomes em mente.

No lado petista da disputa, especula-se na imprensa que o nome de Haddad agrada mais ao ex-presidente Lula, pois Marta acumula algum grau de rejeição na cidade. Apesar disso, o blog acredita que o desenrolar dessa história ainda não chegou ao fim. Fato é que se for confirmado o apoio do ex-metalúrgico ao ministro da Educação, Haddad sairá na frente, caso aconteçam as prévias. Vale ressaltar que Lula e o senador Eduardo Suplicy se manifestaram favoráveis ao assunto nesta semana.

Quando olhamos para o PSDB, devemos pensar em um nome: José Serra. O tucano já disse que pretende enfrentar Lula nas eleições presidenciais de 2014, algo meio inusitado, se formos analisar. Para o blog, as chances de “Zé” ser eleito para algum cargo estão nas eleições do ano que vem. No entanto, há alguns nomes no partido que ainda podem vencê-lo, em caso de eleições entre os filiados.

O PSDB passou por problemas sérios nas eleições presidenciais de 2010, por não realizar prévias. Na ocasião, discutia-se qual nome sairia como candidato à Presidência da República. Aécio Neves (MG) e José Serra (SP) eram os políticos mais fortes, mas não houve eleições no partido e o tucanato escolheu o representante paulista para a sigla.

Isso gerou uma revolta e uma sensação desconfortável dentro do PSDB. Chegou a ser especulada a saída de Aécio do partido, devido o alto grau de irritação para com o primeiro escalão tucano. O fato de simplesmente anunciarem a candidatura de Serra causou uma disputa interna entre mineiros e paulistas.

Para o Blog do Filipe, nada mais justo que haver prévias dentro de um partido, seja lá qual for. Se exigimos democracia para o país como um todo, dentro das siglas também deve haver. Quando a maioria opta por um candidato para representá-la nas eleições, o descontentamento entre os eleitores é menor, concorda? A votação prévia faz com que o militante comece a pensar e a analisar as propostas desde cedo.

Por fim, o blog espera que haja prévias tanto no PT quanto no PSDB e que os nomes sejam aqueles com maior interesse em governar para a sociedade paulistana como um todo, e não para apenas uma meia dúzia.

Sobre as eleições municipais de Belo Horizonte, clique aqui e saiba um pouco mais.

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