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Agnelo rebate Isto É e afirma que matéria sobre ele é mentirosa e mal intencionada
Governador do Distrito Federal se defende de acusações feitas pela revista no último sábado (10/12)
Filipe Matoso
A Secretaria de Comunicação do Distrito Federal (Secom) enviou uma nota em resposta a mais uma matéria que saiu sobre o governador Agnelo Queiroz (PT). No e-mail, o governo afirma que o veículo e o repórter serão processados. Além disso, afirma que esta é uma das tentativas “criminosas e irresponsáveis de atacar a imagem do petista”. Na edição distribuída no sábado, informa a TV Globo, a revista Isto É afirma que o Ministério Público do DF investiga a família do petista por um suposto enriquecimento ilícito. Liguei no telefone disponível no site de Isto É, para saber qual o posicionamento da direção revista, mas ninguém atendeu aos telefonemas.
De acordo com o telejornal DFTV (TV Globo), um levantamento preliminar feito pela Polícia Federal indica que familiares do governador não têm fontes de renda para justificar os negócios abertos, como locadoras de veículos e franquias de empresas. Os sinais de enriquecimento surgem, afirma Isto é, no início de 2008, quando Agnelo Queiroz era diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Estima-se, segundo o DFTV, que os bens da família se acumularam em R$ 10 milhões nos últimos três anos.
O site de notícias locais G1 DF publicou em uma matéria, também no sábado, que “de acordo com a assessoria de imprensa do Ministério Público do DF, não há nenhuma investigação em andamento sobre o patrimônio da família do governador. Ainda segundo a assessoria, os integrantes do Núcleo de Combate às Organizações Criminosas (NCOC) não foram procurados pela reportagem da revista Isto É. A PF informou que só pode dar informações sobre o caso a partir de segunda-feira”. Tentei falar com a Polícia Federal durante a tarde desta segunda, mas até o fechamento do texto os telefones não atenderam.
Vale lembrar que o petista foi acusado pelo policial militar João Dias, em entrevista à Veja, de participar de um suposto esquema de desvio de verbas no Ministério do Esporte, chefiado por Agnelo de 2003 a 2006. As denúncias levaram Orlando Silva, então ministro, a deixar a pasta dia 26 de outubro.
E, aí? O que acham de mais este capítulo?
Confira na íntegra a nota enviada pelo Governo do Distrito Federal:
Em relação à reportagem “A próspera família de Agnelo”, publicada na edição 2196 da revista Istoé:
De todas as tentativas criminosas de atacar a imagem do governador Agnelo Queiroz, esta é a mais irresponsável e repuganante, ao desrespeitar seus familiares, e principalmente sua mãe, com mentiras grosseiras e sem relação com a realidade.
A reportagem sonega informações esclarecedoras, descumprindo o dever jornalístico, ao construir um texto mal intencionado e mentiroso, que está a serviço de um consórcio criminoso. Usa falsos fundamentos que escandalizam pela falta de ética jornalística.
A matéria traz valores irreais de renda e patrimônio. O governador Agnelo Queiroz repudia a invasão à vida de seus familiares como forma de ataque político, em ação sem escrúpulos.
A revista e o repórter serão processados.
A matéria está a serviço da velha conspiração contra a renovação dos costumes políticos no DF. Mais uma tentativa de forjar uma denúncia que vai ser desmascarada.
Até a próxima
As razões para Orlando Silva cair após denúncias de corrupção no governo
Como publicou o blog de Luis Nassif, saída do ministro pode representar primeira derrota do Governo Dilma
Filipe Matoso
Se tivéssemos de definir todo o caso da queda do ex-ministro dos Esportes, Orlando Silva (PC do B), em apenas uma palavra, diríamos: fraqueza. O político deixou a pasta sob a suspeita de envolvimento em esquemas de corrupção no programa Segundo Tempo. Sob suspeitas. Provas? Para quê? Elas não servem para nada. Aliás, nem necessárias elas são. Após denúncias feitas pela revista Veja (Editora Abril), a situação política de Orlando Silva ficou insustentável. Diferente de outros quatro ministros, que deixaram o governo após provas serem apresentadas, ele sai afirmando que mostrará inocência.
Já que falamos em “fraqueza”, vale a pena explicar porque apenas uma palavra resume o contexto político vivido em Brasília nos últimos 15 dias. O Governo Dilma, de um modo geral, está bem. Os números na Economia são favoráveis, projetos estão em andamento e o pulso firme da presidenta parece fazer feito. No entanto, como publicou o blog de Luis Nassif, a queda de Orlando Silva se tornou uma derrota para a petista. A frase “questões políticas” foi repitida inúmeras vezes na quarta-feira (26/10), dia que sacramentou a derrubada do homem-chefe dos Esportes.
Questões políticas derrubaram Orlando Silva. Provas não. O delator do esquema de corrupção, o policial militar João Dias, negou ter provas concretas contra o político. Então, a colunista Dora Kramer, do Estado de S. Paulo, critica a sociedade por exigir documentos assinados de próprio punho por Orlando. O blog exige provas. Quer dizer, então, que as acusações feitas conseguiram derrubar o ministro? Sim.
Falamos em governo, pois, mais uma vez, não conseguiu acalmar os ânimos e se deixou levar pela mídia – seja ela considerada pelo leitor como golpista ou não, não importa aqui. Diziam que a defesa seria apresentada e que acusações feitas de forma leviana não colocariam em xeque a integridade política de Orlando. Colocaram. Afinal, ele deixou o cargo. O pulso firme de Dilma deveria ter sido mostrado nesta hora, enquanto provas ainda não apareceram. Provas, provas, provas. Palavra repetitiva, cansativa e que aparece no texto a todo instante. Menos nas denúncias.
Mídia. O Fantástico (TV Globo) exibiu uma matéria que apontava irregularidades no programa Segundo Tempo e apresentou as denúncias e defesas. Como diz o manual. Já a revista Veja, como de costume, não poderia deixar de estar no foco dos escândalos políticos do governo. A publicação ainda não divulgou as provas da denúncia. Opa! Como diria Galvão Bueno, “pode isso, Arnaldo?”. Na minha faculdade não. Sou da escola que ensina futuros jornalistas a ter documentos que comprovem denúncias. Caso contrário, não vale a pena nem publicar a reportagem.
De “irregularidades no programa” a “ministro fazia parte de esquemas de corrupção” o salto é grande. Há quem banque, há quem divulgue. Se Orlando Silva, de fato, fazia parte do grupo corrupto, deveria ter caído por tais atitudes. Erros na gestão de programas têm poder de derrubar ministro? Deve-se avaliar cada caso. Fato concreto é que no Brasil, pelo jeito, a obrigação de apresentar provas se tornou de quem é acusado, não de quem acusa.
Orlando Silva. O discurso de que “provas não aparecerão” se mantém desde o início. Então, por que deixou o cargo? É certo que atividades irregulares no ministério foram encontradas, daí ele sair exige um estudo político maior sobre este caso. Um cientista político sabe opinar de forma mais complexa. O ex-ministro caiu por não suportar a pressão. Ora, quando não há nada de errado, não há o que temer, certo? O blog entende que ele deveria ter continuado até João Dias apresentar, de vez, os documentos que promete há duas semanas, ou, então, Veja publicá-los.
De forma alguma vamos colocar a mão no fogo por Orlando. No entanto, não concordaremos com matérias de denúncias sem provas, delator de esquemas de corrupção sem documentos e queda de ministro baseada em questões políticas como as vistas neste caso. É claro que questões políticas nomeiam e derrubam ministros – óbvio-, mas não as presenciadas este mês. Para o blog, as provas terão de aparecer para mostrar que a queda do ministro não foi a “barrigada da mídia” do ano. O editor-chefe do jornal Alô Brasília, Lívio di Araújo, chegou a publicar no micoblog Twitter que as declarações de Dias são “o blefe do ano”.
Aliás, vamos aguardar para ver durante quanto tempo João Dias demora para cair no esquecimento do veículo que o apresentou à população brasileira. Por sinal, antes de fechar o texto, é difícil de engolir o secretário-geral da Federação Interncional de Futebol (FIFA, em inglês), Jeróme Valcke, dar palpite na política brasileira.
Boa sorte a Aldo Rebelo, novo ministro dos Esportes.
Até a próxima!
Orlando Silva é o sexto ministro a deixar o Governo Dilma
Denúncias de suposto esquema de corrupção derrubaram Orlando Silva dos Esportes
Filipe Matoso
Na quarta-feira (26/10) o ministro dos Esportes, Orlando Silva Júnior (PC do B), deixou o comando da pasta. Sob denúncias de envolvimento em esquemas de corrupção no programa Segundo Tempo, o chefe do ministério entregou o cargo por “questões políticas”, como noticiaram os principais veículos do país. As acusações que envolviam o agora ex-ministro começaram semana passada.
Ele não foi o primeiro. De janeiro a outubro deste ano, outros cinco ministros também deixaram o governo. Antônio Palocci deixou de ser ministro-chefe da Casa Civil e caiu sob a suspeita de enriquecimento ilítico. Já Alfredo Nascimento entregou o cargo após várias irregularidades serem apontadas no Ministério dos Transportes. Com Pedro Novais não foi diferente. O então ministro do Turismo saiu após atitudes ilegais serem denunciadas por alguns veículos. Wagner Rossi também caiu e deixou o Ministério da Agricultura sob indícios de irregularidades na pasta. Por fim, Nelson Jobim foi o único a “dar tiros no próprio pé”. Falou mais do que deveria e não resistiu às polêmicas criadas por ele.
No lugar de Orlando Silva, assume o deputado federal Aldo Rebelo, também do PC do B, partido que comanda os Esportes desde o início do Governo Lula, em 2003, com Agnelo Queiroz (hoje governador do DF) à frente da pasta. O nome de Aldo foi confirmado nesta quinta-feira (27/10). Resta saber como o Ministério dos Esportes vai seguir de agora até 2014. O blog torce para Aldo conseguir desempenhar um bom trabalho e a queda de Orlando Silva será comentada em outro post.
Até a próxima!




