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Pedido de CPI das Privatizações é protocolado na Câmara dos Deputados

Quase metade dos parlamentares se mostrou favorável às investigações

Filipe Matoso

Foi protocolado nesta quarta-feira (21/12) o pedido de instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados para investigar as privatizações feitas durante o Governo Fernando Henrique Cardoso. O tucano governou o Brasil entre 1995 e 2002. O pedido foi entregue pelo deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) e tem cerca de 200 assinaturas.  A movimentação é baseada no livro A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Júnior. De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, o presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS), disse que só deve se decidir pela criação da CPI  ano que vem.

O livro A Privataria Tucana relata como teriam sido feitas as privatizações durante a era FHC. Na publicação, o autor mostra como políticos, pessoas ligadas a eles e empresas se beneficiaram de forma indevida com os acordos firmados. A obra foi lançada em 9 de dezembro e gerou muita discussão.  Em um vídeo publicado aqui no blog, Amaury Ribeiro Júnior afirma que tem como comprovar tudo o que é publicado no livro. O alvo das denúncias: o PSDB.

Para o blogueiro Luis Nassif, em um texto publicado em Carta Capital, “A Privataria Tucana marca o desfecho de uma era, ao decretar o fim político de José Serra. A falta de respostas de Serra ao livro – limitou-se a taxá-lo de lixo – foi a comprovação final de que não havia como responder às denúncias ali levantadas”.

Em resposta ao conteúdo de A Privataria Tucana, o PSDB publicou no site oficial do partido uma entrevista concedida pelo presidente nacional da legenda, o deputado federal Sérgio Guerra (PE), ao Diário de Pernambuco. “O livro é distribuído em um instante em que o Governo Federal sofre o desgaste de denúncias que contra ele foram feitas pela imprensa, por toda a imprensa brasileira, e que já vitimou alguns ministros. Neste instante, as denúncias ameaçam um ministro do Partido dos Trabalhadores [PT] e, seguramente, pode continuar a ameaçar outros ministros”.

Para o blog, se há denúncias, elas devem ser apuradas. Amaury Júnior afirma que tem como provar tudo o que é publicado no livro. Portanto, cabe aos órgãos competentes a função de investigar os contratos firmados entre o Governo FHC e as empresas. Além, claro, de apontar todas as pessoas que se beneficiaram de forma ilegal após os acordos serem fechados. Se ao fim de todo o processo for constatado que A Privataria Tucana publicou apenas o que realmente aconteceu entre 1995 e 2002, poderemos presenciar o fim político de alguns dos principais líderes do PSDB.

Em nota oficial publicada no site, o PSDB afirma que “todo o processo [de licitação durante o Governo FHC] foi exaustivamente auditado pelo Tribunal de Contas da União [TCU], Ministério Público Federal e outros órgãos de controle, e nenhuma irregularidade foi constatada”.

É esperar para ver o que acontece…

Deputados federais Protógenes Queiroz (esq) e Marco Maia (dir)/ foto: twitter oficial ProtogenesQ

Até a próxima!

Balanço político das últimas semanas

Para comentarmos os temas mais atuais da Política Nacional, vamos relembrar alguns fatos importantes

Filipe Matoso

Bem, você viu no último post que ficamos ausentes por duas semanas. Sem charges, comentários, matérias, etc. No entanto, muitos fatos aconteceram. O ex-ministro do Turismo, Pedro Novais (PMDB), perdeu o cargo e a Polícia Civil do Distrito Federal confirmou que o repórter Gustavo Nogueira Ribeiro, da revista Veja, tentou invadir o quarto de José Dirceu no hotel em que o ministro-chefe da Casa Civil durante o Governo Lula se hospeda em Brasília. Além disso, o ex-governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, desistiu da candidatura à prefeitura de Luziânia, nas próximas eleições municipais, em 2012. Portanto, vamos lá, caso a caso, falar um pouco de cada.

Pedro Novais deixa o Ministério do Turismo

Era questão de tempo. Antes mesmo de o Governo Dilma começar, o peemedebista já havia se envolvido em problemas, após uma denúncia do jornal O Estado de S. Paulo, na qual um fato inesperado foi divulgado: aos 80 anos, o então parlamentar havia utilizado verba da Câmara dos Deputados para pagar uma festa em um motel na capital maranhense, São Luis. Como publica Carta Capital, para evitar uma crise de início de governo, Dilma aceitou a versão do ministro recém-nomeado, tão esdrúxula como convincente, de que ele, sim, pagou a festa, mas não participou da tertúlia.

No decorrer dos oito meses em que esteve à frente do Turismo, Novais foi anunciado na mídia diversas vezes. A primeira realmente bombástica, foi durante a Operação Voucher, comandada pela Polícia Federal, na qual 38 pessoas foram presas na época, acusadas de desviar mais de R$ 10 milhões na pasta. Então, ninguém mais falou no ministro, a poeira baixou e tudo se acalmou.

Pedro Novais/ foto: blog Barra do Corda News

Daí entra o jornal Folha de S. Paulo. Duas reportagens publicadas no veículo serviram para decretar a saída de Pedro Novais do ministério. No dia 13 de setembro, o jornal noticiou que o ministro pagava as contas da governanta pessoal com salário de servidora da Câmara dos Deputados, durante sete anos, para a “secretária parlamentar”. Esta mulher não esteve sequer um dia no Congresso para trabalhar. Além disso, a mulher de Novais tinha como motorista particular Adão dos Santos Pereira. Nenhum problema, se ele não fosse funcionário da Câmara, contratado para o gabinete do deputado Francisco Escócio (PMDB-MA), do mesmo partido de Novais e da turma aliada ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-PA).

Nossa opinião é de que foi melhor para o Governo Federal ter Pedro Novais fora do Ministério do Turismo. Se na Marcha contra a Corrupção, realizada em Brasília no último dia 07 de setembro, havia uma faixa “Dilma da Puta, não faz nada!”, este cidadão estava errado. Pelo que parece, à medida em que pessoas do governo são descobertas envolvidas em supostos esquemas, saem do cenário político do qual Dilma é chefe. Vale ressltar que o blog não julga aqui Novais como corrupto, quem tem o poder para fazer tal afirmação é a Justiça, não nosso espaço.

Veja e a tentativa de invasão

No dia 18 deste mês, o site Brasil 247 noticiou que a investigação comandada pela 5ª Delegacia de Polícia Civil do Distrito Federal concluiu que um repórter de Veja tentou invadir o quarto de José Dirceu no hotel Naoum, onde o ministro durante o Governo Lula se hospeda em Brasília. O fato chegou a ser comentado duas vezes aqui no Blog do Filipe, várias pessoas elogiaram, outras disseram que o blog é petista e, no fim das contas, as suspeitas se confirmaram. A denúncia de uma simples camareira divulgada no blog de Dirceu resultou em uma investigação contra o repórter da revista da Editora Abril.

De acordo com o site, o delegado-chefe da 5ª DP, Laércio Rossetto, informou que o jornalista admitiu ter tentado entrar em um ambiente privado – no caso, vale ressaltar que era o quarto do petista. Talvez não haja muito o que comentar, pois o blog deixou bem clara a opinião em relação a este assunto nos últimos posts. Somente uma punição severa daria o exemplo. Imagine só se nada acontecer ao repórter e à revista, simplesmente será passado à população de que não há problemas em infringir a Lei e vale tudo para investigar a vida de uma pessoa, mesmo que você não seja policial ou apto para tal atitude.

O Poderoso Chefão, por Veja/ foto: site GSM Fans

Sem mais delongas, os defensores do Jornalismo Investigativo praticado pelo repórter Gustavo Nogueira Ribeiro devem ter ficado chateados com a polícia. Afinal, investigou o caso, como órgão competente (o que o repórter não é e pelo jeito não sabia, pois tentou entrar no quarto de Dirceu), e chegou a uma conclusão: Nogueira Ribeiro tentou violar a suíte coupada pelo petista. Segundo o Brasil 247, o resultado da investigação, apoiada em imagens do circuito interno do hotel, cópia dos depoimentos e outros documentos, foi encaminhado ao Juizado Especial Criminal de Brasília, que vai decidir se abre processo contra Gustavo. Confira a renúncia de Joaquim Roriz à candidatura nas eleições municipais de Luziânia-GO em 2012: Leia o resto deste post

Matéria publicada no Estadão causa confusão política ao leitor

Título de matéria veiculada no jornal transmite ideia contrária à história de PT e PSDB

Filipe Matoso

No site do jornal O Estado de S. Paulo (www.estadao.com.br), foi divulgado, na última segunda-feira (8/8), um texto com o seguinte título: “Governo Dilma segue dica de FHC e busca nova Classe C”. Curioso, não? Focaremos apenas no título da matéria, para mantermos o post em um único caminho. A chamada para a nota causa uma confusão tremenda às pessoas que acompanham Política diariamente.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) escreveu um artigo e nele afirmou que “a oposição deve voltar a atenção para a nova classe média”. Ao ler o título, do Estadão, temos uma primeira impressão de que as fichas dos líderes do Governo Dilma caíram, como dizem no popular, e eles resolveram agir. Até aqui, está tudo muito truncado e confuso, não está? É isso que o título causa no leitor.

FHC/ Foto: Portal IG

Historicamente, o PSDB tem como eleitores, filiados e políticos, pessoas das classes A e B, com grau de estudo elevado, poder aquisitivo alto e geralmente são empresários. Além disso, a Direita sempre foi uma visão política com os olhares mais voltados para a Economia. Não à toa, a maior bandeira levantada por Fernando Henrique Cardoso (FHC) e aliados, em campanhas políticas, é a criação do Plano Real. Vale ressaltar que o plano foi criado durante o Governo Itamar Franco, o político se chateava com a atitude tucana e isso não é reconhecido.

Por outro lado, o Partido dos Trabalhadores nasceu após Lula criar movimentos sociais a favor dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo-SP. Os sindicatos, Central Única dos Trabalhadores (CUT) e demais manifestações de categorias unidas surgiram para defender os direitos das classes com menor poder aquisitivo: C, D e E. A Esquerda, campo político adotado pelo PT, tem como objetivo o lado Social do país e a visão de avanço é totalmente oposta à da Direita. Dilma Rousseff/ Divulgação PR

Aqui no blog não iremos dizer se um é melhor que o outro, até porque não é necessário. Na Democracia, os partidos têm opção de seguirem a ideologia que quiserem e o cidadão o livre arbítrio de decidir em quem votar.

Voltando ao assunto, percebe como é difícil entender as chances de o Governo Dilma ter seguido as orientações de FHC para focar na nova classe média, antes formada por cidadãos que viviam em pobreza extrema? Se o PT sempre foi voltado para as pessoas com menor poder aquisitivo e o PSDB para os cidadãos com maior, como um tucano recomenda esta troca? Parece tudo muito confuso. Confira o comentário na íntegra: Leia o resto deste post

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