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A queda (já esperada) de Nelson Jobim
Peemedebista deixa o cargo de ministro da Defesa após inúmeras declarações polêmicas
Filipe Matoso
Nelson Jobim (PMDB) foi demitido do cargo de ministro da Defesa pela presidenta Dilma Rousseff, na noite da última quinta-feira (4/8). Segundo o repórter Valdimir Netto (Jornal da Globo), a conversa durou apenas cinco minutos e o tempo foi o suficiente para Jobim apenas entregar a carta de demissão à presidenta.
Como bem definiu a comentarista do programa Bom Dia Brasil (TV Globo), Zileide Silva, “Jobim morreu pela boca”. As consecutivas declarações polêmicas do ex-ministro tornaram a situação “insustentável”, como disse o também comentarista do canal Globo News, Gerson Camarotti.
Parecia questão de tempo. O ex-ministro não tinha mais condições políticas de permanecer no governo. Há uma semana, chegou a declarar que votou em José Serra (PSDB) nas últimas eleições presidenciais. Além disso, durante as comemorações do aniversário de 80 anos do ex-presidente FHC, disse que tinha de tolerar a convivência com “idiotas” e que eles tinham perdido a modéstia. Jobim afirma que falou desta forma de jornalistas, mas petistas não entenderam dessa maneira. Por fim, em entrevista à revista Piauí, disse que a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, “é muito fraquinha” e afirmou ainda que a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, “sequer conhece Brasília”.
Nelson Jobim chegou a dar entrevista na última viagem como ministro, no Mato Grosso, e afirmou pouco tempo antes de ser demitido que as declarações não foram no sentido “pejorativo” e que havia deturpações sobre o que realmente havia sido falado por ele. O ex-presidente Lula chegou a comentar o caso e disse que “até Pelé jogando mal seria retirado pelo treinador do time”. Por falar em Lula, o sucessor de Jobim à frente da Defesa será Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores do governo anterior.
Jobim é o terceiro caso de queda de ministro no Governo Dilma. Na Casa Civil, Antônio Palocci (PT) deixou o cargo após um grande enriquecimento sem provas da origem do dinheiro. Alfredo Nascimento (PR) chefiava os Transportes quando a revista Veja publicou uma matéria na qual supostos esquemas de corrupção na pasta foram divulgados.
A diferença entre a queda dos três ministros é que Palocci saiu após se complicar politicamente, Nascimento caiu por denúncias de corrupção e Jobim “forçou” a saída. Sobre essa história de dizerem que ele queria sair, somente o ex-ministro poderá dizer. O fato é que ele deu, sim, uma impressão de que tinha a intenção de deixar o governo.
Como dissemos aqui no Blog do Filipe, no campo político as declarações do ex-ministro da Defesa eram praticamente inaceitáveis. Foram três vezes somente em 2011 que o peemedebista se complicou com PT e Planalto. Leia o post na íntegra: Leia o resto deste post
Ministro de Dilma, Jobim diz que votou em Serra nas últimas eleições
Nelson Jobim, atual ministro da Defesa, declara voto em tucano José Serra, principal adversário de Dilma em 2010
Filipe Matoso
Na última quarta-feira (27/7), o caderno Poder do jornal Folha de S. Paulo divulgou uma entrevista com o ministro da Defesa, Nelson Jobim. Foram feitas várias perguntas, mas uma em especial chamou a atenção pela resposta: Jobim afirmou ter votado em José Serra (PSDB) nas eleições presidenciais de 2010, nas quais o tucano enfrentou Dilma Rousseff (PT) – atual chefe do ministro – e perdeu.
Amigo íntimo confesso de Serra, Jobim afirmou durante a entrevista que tanto Lula quanto Dilma sabiam em quem ele iria votar. O ex-ministro de FHC e Lula é filiado ao PMDB e esta é a segunda vez que mostra ser simpatizante do PSDB durante o Governo Dilma. É necessário entender que Jobim causa a revolta em aliados do governo, pois participa dele e votou no principal adversário da presidenta.
Como cidadão comum, Nelson Jobim deve votar em quem quiser, contar para outras pessoas – se preferir – e não haverá repercussão, no máximo uma discussão entre amigos. Como ministro do Governo Dilma, Jobim deve continuar votando em quem quiser, contar para algumas pessoas – também se preferir-, mas haverá (grande) repercussão, se não for em quem a maioria espera. Isso parece óbvio.
Questões políticas que envolvem um ministro de Estado devem ser percebidas por quem ocupa o cargo. Jobim, como político à frente da Defesa, deveria ser menos liberal e mais contido. É claro que não há problema algum em ele ter votado em Serra, ser amigo do tucano, etc. Entretanto, não pega bem dizer que votou no paulista, uma vez que é ministro de Dilma, principal adversária do político nas últimas eleições presidenciais. Na esfera política, as declarações tornam-se, sim, uma arma contra Jobim.
Sobre a relação do ministro com o ex-presidente Lula e com a presidenta, Jobim diz que é ótima, não há obstáculos e vê toda essa situação de forma muito natural. Se Dilma e o ex-metalúrgico aceitam o voto do peemedebista em Serra, parabéns – sinal de maturidade. Entretanto, os comentários indignados feitos por filiados ao PT e políticos do partido são perfeitamente compreensíveis também. Clique no link ao lado e confira o post na íntegra: Leia o resto deste post

