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As diferenças políticas entre o Mensalão e o caso Cachoeira

Filipe Matoso

O presidente do Instituto Vox Populi, Marcos Coimbra, que assina colunas na revista “Carta Capital” e no jornal “Correio Braziliense”, definiu as diferenças políticas entre o Mensalão e o envolvimento do bicheiro Carlinhos Cachoeira com o mundo político.

A coluna “As lições de Demóstenes” apresenta os motivos pelos quais o caso denunciado no começo do governo Lula volta a capas de revista, como a “Veja”, e aos discursos de alguns parlamentares.

Não precisamos entrar em questões partidárias, pois o que se discute é forma como os dois casos são tratados.

Por sinal, o Conselho de Ética do Senado define no dia 8 de maio se abre um processo disciplinar contra Demóstenes, o que poderia levá-lo à perda do mandato.

“O problema é que o escândalo Demóstenes e o ‘mensalão’ são completamente diferentes. No primeiro, um político é suspeito de fazer o que os bandidos fazem. No segundo, alguns políticos são acusados de fazer o que todos fazem”, publica Marcos Coimbra.

“Não são, portanto, nem de longe, a mesma coisa.

A maior parte dos que serão julgados pelo ‘mensalão’ fez, apenas, aquilo que as regras não escritas da política sempre admitiram. E que, por essa razão, seus colegas praticaram – e continuam a praticar. Ou alguém acha que, agora, tudo é feito de maneira ortodoxa?

Ninguém os acusa de advocacia de interesses escusos ou de conluio com os fora da lei. Suspeitar que receberam uma espécie de mesada para votar com o governo é uma simples história da carochinha: petistas ganhando para isso?”, conclui.

De acordo com reportagem exibida pela “TV Record”, o famoso vídeo que deu início ao caso do Mensalão teria sido produzido por Demóstenes Torres e o bicheiro Cachoeira. Quem faz a afirmação é o ex-prefeito de Anápolis (GO), Ernani José de Paula, que admite ter tido relação com Cachoeira.

Portanto, como define o presidente do Vox Populi, é necessário diferenciar os dois escândalos. Agora, claro, todos aqueles que tiverem envolvimento comprovado com esquemas ilícitos, seja com Cachoeira ou Mensalão, devem ser punidos de forma severa, independente do partido ao qual forem filiados.

Até a próxima!

Avaliação de Dilma em oito meses e Lula como candidato do PT em 2014

Presidenta mostra pulso firme e alguns jornalistas tentam criar mais um factóide envolvendo o PT

Filipe Matoso

Nesta semana, a revista Carta Capital completa 17 anos e traz uma edição especial de aniversário.  A publicação intitulada “O Brasil de Dilma” apresenta uma entrevista com a presidenta, artigos do senador Aécio Neves (PSDB-MG), Maria Rita Kehl, Delfim Netto, entre outros. Além disso, há um em especial, de Marcos Coimbra. Nele, o autor avalia o Governo Dilma e mostra de forma simples como foram os oito primeiros meses da petista à frente do Executivo.

A análise de Coimbra é muito boa. O autor apresenta três pontos cruciais para o Governo Dilma ser considerado, pela primeira vez, uma real sucessão da gestão anterior. No caso, chefiada por Luiz Inácio Lula da Silva. Os aspectos impressos na edição especial são citados abaixo.

Carta Capital 17 anos: O Brasil de Dilma/ Foto: Carta Capital

Coimbra diz que o primeiro ponto é o da real continuidade ao antecessor, afinal, “Collor não era isso para Sarney, Fernando Henrique se sentia maior que Itamar Franco, e Lula e ele haviam sido adversários (quase) a vida inteira”. Muito bom!

Posteriormente, o autor publica que Dilma não se encaixa no “tipo ideal” de presidente que existe em nossa cultura política. Coimbra diz ainda que a petista está longe de ter algo extraordinário ou excepcional, algo comum em antecessores. De fato não tem e mesmo assim leva o governo de forma legítima e com pulso firme.

Por fim, o terceiro aspecto é o de Dilma demonstrar menos disposição para considerar natural o que outros políticos achavam inevitável como, por exemplo, a corrupção em alguns ministérios. Não por acaso, a presidenta disse, “sem papas na língua”, que iria “lutar contra os mal feitos” da forma que fosse necessária.

Dilma Rousseff tem apoio de Veja e Carta Capital/ Foto: Exame.com

Carta Capital ganhou destaque ao praticamente enfrentar Veja nas eleições presidenciais do ano passado. Enquanto a revista ligada à Editora Abril colocava-se em defesa de José Serra e contra Dilma, a maior rival no campo político fazia o contrário, batia de frente e apresentava o lado petista da disputa. Não é necessário dizer se alguma agia de forma correta, ou não, pois essa opinião varia de acordo com o envolvimento político do leitor.

Voltando à Carta desta semana, o artigo de Maria Rita Kehl relembra que entre as principais diferenças entre Dilma e Lula está o fato de o ex-metalúrgico ter um jeito de pai dos brasileiros. Inclusive, chegou a nomear Dilma como mãe do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), sem ela ter essa imagem de carinhosa perante a sociedade. Dilma não. A presidenta tem pulso firme, age com a cara fechada e, como dizemos em Minas Gerais, “coloca os pingos nos is”. Entende?

Fosse José Serra à frente do Executivo em agosto de 2011, a luta contra a corrupção seria algo extraordinário, jamais visto na história do Brasil e um ato heróico de um homem predestinado a ser o melhor presidente do país. Com Dilma pode parecer não ser muito diferente, pois até a revista que mais atacou a petista nas últimas eleições, Veja, deu o braço a torcer e se apresentou como o novo apoio à presidenta.

Já nas questões políticas, Dilma arrumou encrenca. O combate à corrupção gerou, na verdade, o desligamento do PR da base aliada e o descontentamento do PMDB, após denúncias de supostos esquemas de corrupção. O curioso é ver partidos alegarem que Dilma não os defende e atua como a grande imprensa deseja. Engraçado ainda é perceber que a denominada pela imprensa “faxina no governo” é temida e a oposição se faz valer disso. Democratas se movem para criar uma comissão contra a corrupção e prometem divulgar nos veículos de comunicação os nomes de parlamentares que não a apoiarem.

Parece tudo uma bagunça. Enquanto Dilma age, de forma correta, ou não, partidos se rebelam e líderes do governo têm de se mexer para aprovar projetos em plenários no Congresso Nacional. Já a imprensa, elogia, aplaude. E a população? Os escândalos e questões econômicas fizeram a presidenta perder pontos na popularidade entre os eleitores.

Entretanto, se engana quem a vê em curva decrescente. Dilma tem a maior aprovação para os primeiros oito meses de governo, comprada aos antecessores. A petista parece mostrar para a sociedade que não possui o caráter paternal que tinha Lula, ou o de sempre conciliar-se para não perder apoio político. De fato, um presidente cai sem o respaldo do Congresso, assim como aconteceu com Collor. No entanto, Dilma parece ter coragem de enfrentar uma queda de braço contra os interesses políticos acima de tudo e isso incomoda, não é senador Alfredo Nascimento (PR)? Confira o post na íntegra: Leia o resto deste post

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