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A brincadeiragem da música baiana sob aviso prévio de deputada
Parlamentar Luiza Maia (PT-BA) propõe fim de verba pública para artistas com músicas de duplo sentido
Filipe Matoso
A deputada Luiza Maia (PT-BA) apresentou um projeto de lei (PL) no qual impede alguns compositores e determinadas bandas de serem contratados com dinheiro público. Assim, as músicas com letras de duplo sentido (geralmente envolvem sexo) deixariam de receber verbas do governo estadual, chefiado pelo também petista Jaques Wagner.
A repercussão, inevitavelmente, foi grande. Em média, cerca de dois milhões de pessoas vão às festas de carnaval em Salvador e o pessoal dança muito, quebra até o chão e se diverte. Na folia de rua, há incentivos financeiros por parte do governo, por meio das políticas públicas voltadas para a Cultura.
Filtrar o que será bancado pelo governo é fundamental para que o dinheiro público não seja investido em qualquer bobagem. Entretanto, a música baiana e o pagode fazem parte da cultura dos foliões e há muitas pessoas que curtem o ritmo. Sobre as letras serem agressivas às mulheres, parece exagero. Violência contra a mulher pode ser muito mais que uma letra de música.
Na reportagem exibida pelo programa semanal Fantástico (TV Globo), no último domingo (31/7), tanto a deputada quanto cantores de pagode foram entrevistados. Entre eles, Léo Santana, vocalista do Parangolé. Confira um trecho da matéria: “Tem gente que curte a coisa mais da dancinha, tem gente que curte o duplo sentido e tem gente que curte axé, então é isso”.
O programa também conversou com o antropólogo da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Roberto Albergaria. Leia uma parte da entrevista: “As canções populares da Bahia e do Brasil como um todo sempre foram maliciosas”. Com isso, Albergaria explica como funcionam as festas de carnaval em Salvador. O duplo sentido não parece ser uma ofensa real às mulheres, da forma como é exposto. Sem dúvida, as letras poderiam ser melhores, mais trabalhadas, mas o povo de lá gosta. Além disso, há outros exemplos de músicas com duplo sentido.
Por exemplo, um grande nome da Música Popular Brasileira (MPB), Chico Buarque, fez músicas com duplo sentido durante o período da Ditadura Militar. “Afaste de mim esse cálice. Pai”. Leia esta palavra: “cálice”. Pode ser uma taça para beber vinho, ou “cale-se, pai” pode ser um recado. Durante o regime, imprensa, músicos e todos os cidadãos deveriam aceitar os militares no poder e ai de quem fizesse oposição. Naquela época, quem se mostrava contra os ditadores, era morto, torturado, exilado, ou colocado em porões. Confira o comentário na íntegra: Leia o resto deste post
