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Veja por estado o número de fichas sujas apontados pelo TCU

Filipe Matoso

O Tribunal de Contas da União (TCU) enviou um relatório ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o nome de cerca de sete mil pessoas fichas sujas. São gestores do serviço público que tiveram as contas dos últimos oito anos avaliadas e reprovadas.

O “G1″ fez um levantamento e mostrou que o Distrito Federal é a unidade da federação com o maior número de pessoas condenadas, 707, em 842 processos diferentes.

Confirme publica o “G1 DF”, a Lei da Ficha Limpa é responsável por barrar em eleições a candidatura de gestores e políticos acusados de cometer irregularidades no exercício da administração pública. Na avaliação do TCU, estes sete mil gestores “realizaram uma má gestão dos recursos públicos federais que receberam da União”.

Todos eles são considerados, por enquanto, “em situação irregular” e cabe à Justiça Eleitoral declará-los, após análise caso a caso, “inelegíveis” e o tempo de inegibilidade.

Confira abaixo a lista completa por estado o número de fichas sujas e o índice de contas rejeitadas:

Acre: 102 pessoas com 147 ocorrências

Alagoas: 140 gestores com 208 contas rejeitadas

Amazonas: 195 servidores com 384 processos

Amapá: 161 pessoas com 262 ocorrências

Bahia: 481 gestores com 771 contas rejeitadas

Ceará: 235 servidores com 361 processos

Distrito Federal: 707 pessoas com 842 contas rejeitadas

Espírito Santo: 115 gestores com 168 ocorrências

Goiás: 234 servidores com 277 processos

Maranhão: 537 gestores com 1.128 contas rejeitadas

Minas Gerais: 486 pessoas com 682 ocorrências

Mato Grosso: 194 gestores com 316 contas rejeitadas

Mato Grosso do Sul: 98 servidores com 142 processos

Pará: 293 pessoas com 483 ocorrências

Paraíba: 228 gestores com 341 contas rejeitadas

Pernambuco: 324 servidores com 430 processos

Piauí: 202 pessoas com 352 ocorrências

Paraná: 203 gestores com 260 contas rejeitadas

Rio de Janeiro: 397 servidores com 472 processos

Rio Grande do Norte: 228 pessoas com 360 ocorrências

Rondônia: 149 gestores com 196 contas rejeitadas

Roraima: 93 servidores com 163 processos

Rio Grande do Sul: 146 pessoas com 172 ocorrências

Santa Catarina: 105 gestores com 125 contas rejeitadas

Sergipe: 180 servidores com 247 processos

São Paulo: 530 pessoas com 789 ocorrências

Tocantins: 156 gestores com 277 contas rejeitadas

* DF, Maranhão e São Paulo estão destacados, pois são os três estados com o maior número de fichas sujas e processos julgados.

Até a próxima!

Ficha Limpa – a vitória é da população

Com decisão do STF, políticos com ficha suja não poderão se eleger

Filipe Matoso

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta semana que a Lei da Ficha Limpa já começa a valer a partir das eleições municipais que acontecem em outubro deste ano. Com a decisão, aqueles políticos que possuem problemas com a Justiça ficarão inelegíveis e quem ganha é a população, sem dúvida.

Mas é claro que só aplicar a lei não resolve. Agora que a Justiça fez a parte dela, chegou a hora de o eleitor também assumir a responsabilidade. O voto sem consciência é uma forma de atrapalhar a Democracia e fazer com que o país inteiro sofra nas mãos de políticos corruptos e comprometidos apenas com o desvio de verba.

Ministros do STF reunidos para discutir a aplicação da lei/ foto: Divulgação STF

A educação política das pessoas, o interesse pelo histórico dos candidatos e a avaliação antes das eleições vão mostrar que vale a pena blindarmos os políticos desonestos. O chamado “voto de protesto” é uma das formas de acabar com a política do país. Alguém vai se eleger e escolher uma pessoa despreparada não é uma simples forma de dizer que não concorda com a situação, mas, sim, uma maneira de piorá-la ainda mais.

A aplicação da Lei da Ficha Limpa é, sem dúvida, um ganho para todos nós. Saber que estão no Congresso apenas os políticos sem processos criminais circulando pela Justiça é muito bom. Perceber que o vereador do seu município não é acusado de desvio de verba, improbidade administrativa ou mau uso do dinheiro público deve dar uma sensação maior de confiança para com os representantes.

Roriz só pode se candidatar em 2023, quando terá 86 anos/ foto: Dida Sampaio - AE

No entanto, nem todo mundo pensa assim. Joaquim Roriz, figura carimbada da política do Distrito Federal, não achou justa a decisão do Supremo. Em nota enviada ao “G1 DF”, o ex-governador do DF afirmou que a Ficha Limpa é “injusta e violentadora”. O que acham?

Roriz foi quatro vezes governador. “Infelizmente, hoje, o Supremo tirou o direito de, soberanamente, escolher o melhor nome para governá-los em 2014, como já fizera em 2010, ao decidir não decidir, mutilando o processo eleitoral brasiliense”, afirmou o político na nota.

Barrado pela lei, como publica o “G1″, Roriz desistiu de disputar as eleições de 2010 para o governo do DF. Ele teve o registro de candidato negado, com base na Ficha Limpa, por que renunciou ao mandato de senador, em 2007.

Já o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Ricardo Lewandowski, afirmou ao “G1 Política” que a decisão do STF de validar a aplicação integral da Lei da Ficha Limpa vai criar um “filtro” contra a corrupção na política brasileira, que, para ele, começará pelos partidos políticos.

“Foi uma vitória da cidadania, da democracia participativa. A lei terá impacto benéfico já nas eleições de 2012. Os partidos terão de escolher candidatos baseados nos critérios da lei. Os que passarem por esse filtro dos partidos serão os melhores.”, afirmou o presidente do TSE ao portal.

É, apresentei aqui os dois lados do jogo. Um defende a aplicação e o outro é contra. Como não preciso ser imparcial aqui no blog, até porque não seria o correto neste assunto, posso dizer que sou favorável à decisão do Supremo. Quanto antes pudermos barrar os políticos com ficha suja, melhor para nós. Esta é uma decisão que pode não ser sentida agora, mas, quem sabe, daqui a uns 10 ou 20 anos, a política brasileira vai estar em um patamar de qualidade que não esperávamos? Podemos esperar por isso.

Até a próxima e o blog volta à ativa depois do Carnaval. Aproveitem a folia!

Os políticos sem ficha suja

Nem todos os parlamentares estão envolvidos em esquemas de corrupção, como diz o pensamento comum

Filipe Matoso

Tem frase mais chata que “todo político é ladrão”? As pessoas repetem isso de forma automática e o discurso já é tão batido que parece bobo. Isso. Como um argumento de uma criança de seis anos que apenas chama a outra de boba. “Toda generalização é burra”, já dizia o autor dessa frase. E é mesmo. Afirmar categoricamente que todo político é corrupto é imaturo, intransigente e impensado. É claro que há casos escandalosos, que não há como negar o envolvimento de um parlamentar A ou B em um esquema de desvio de verba, por exemplo. Mas há casos e casos.

De acordo com o site Transparência Brasil, 60% dos deputados federais (308) têm algum processo contra eles correndo na Justiça. O que não quer dizer eles tenham sido condenados, é claro. Há parlamentares que possuem oito ações movidas, inclusive por ações de improbidade administrativa e condições de trabalho análogas ao de escravo.  Outro levantamento feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que apenas 8% dos brasileiros confiam nos partidos. Enquanto isso, o PMDB é a legenda com mais processos na Justiça.

Padre João/ foto: Leonardo Prado - Ag. Câmara

O ex-ministro do Turismo Pedro Novais, que é do PMDB do Maranhão, se recusou a responder as perguntas feitas por Mônica Iozzi, do CQC (TV Bandeirantes). Vale lembrar que ele deixou a pasta por acusações de envolvimento em atitudes irregulares. O Estado de Mato Grosso é o que possui o maior número de parlamentares com processos, cerca de 69% dos atuantes.

Para os mais pessimistas, vale dizer que nem tudo está perdido. O deputado federal pelo PT de Minas Gerais João Carlos Siqueira, conhecido como Padre João, não possui um processo contra ele. O blog conversou com o parlamentar. Confira abaixo:

O que significa saber que um político não tem processos judiciais contra ele?

De um lado, expresso a tranquilidade de não ter feito algo que merceça processos. Me dedico a sempre estar na legalidade, o que é um dever nosso, claro. Como legislador, ajudo a elaborar projetos de lei, nós temos que dar o exemplo para a sociedade. Às vezes, esbarramos em algumas situações que a lei é considerada injusta. Neste caso, devemos, então, achar uma forma de modificar a lei para que a população seja beneficiada.

Antes de votar, o senhor pesquisa o histórico do candidato?

Não somente antes votar. Como muitos políticos pedem apoio, penso muito antes de apoiar candidaturas. É uma mesa dobrada. Eu procuro olhar isso, levar os dados das pessoas em conta, porque há uma verdade: há processos e processos. Temos que destruir aqueles políticos que têm vestígios bem claros de atitudes ilegais. Aquele tipo de pessoa que tem relações comprometidas, sejam com a sociedade ou com a ética, não devem ser apoiadas, nem votadas. Procuro ,sem dúvidas, saber o histórico da pessoa que voto e dou apoio político.

Algum político já chamou o senhor para participar de esquemas ilícitos?

A gente é sempre assediado. O poder do deputado não está no que ele recebe em dinheiro, mas nas portas que ele é capaz de abrir. Assédios existem e acontecem praticamente todos os dias. Comigo acontecem menos do que sei que acontecem com outros. Como dizia minha mãe, assombração sabe quem deve procurar. Nos bastidores correm as falas. Os grupos,  formado por essas pessoas sem caráter, são profissionais. Eles sabem com quem mexer. Desta forma, sabem também com quem não mexer.

O senhor defende ou é contra a Lei da Ficha Limpa? Quando deveria ser colocada em prática?

Esta lei é uma conquista que, infelizmente, não passou a valer nas eleições do ano passado. Com certeza será um instrumento para as eleições municipais de 2012. Tomara que começe a valer o quanto antes. Muitas lideranças buscam mecanismos em outras leis, para conseguir barrar o projeto. Nesse sentido, acredito que  a partir de 2012 nós teremos uma boa peneira,pois, assim, os melhores candidatos disputarão os cargos de vereadores e prefeitos. Sem dúvidas, quando a Ficha Limpa for colocada em prática a Política vai ganhar, a sociedade e as políticas públicas serão melhores.

Até a próxima!

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