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Quanto mais inteligentes as empregadas, melhor

Diferença social cai no país e agora empregadas domésticas sabem nome de políticos, celebridades e têm opinião sobre assuntos difíceis

Filipe Matoso

Lia a página de Nina Horta, blogueira da Folha de S. Paulo, quando encontrei um texto sobre as empregadas. É, as domésticas que trabalham em nossas casas de forma guerreira, porque arrumar meu quarto não é para qualquer um.

Poucas semanas após os dados socioeconômicos das empregadas domésticas serem divulgados por institutos brasileiros de pesquisa, Nina resolve falar sobre elas. No post, a colunista, pelo jeito, reclama das funcionárias que agora sabem nome de políticos, celebridades e têm opinião sobre assuntos difíceis. Por quê?

No Brasil, vivemos quase 500 anos de desigualdade social impressionantemente alta. Nas duas últimas décadas, a diferença entre ricos e pobres diminuiu e isso é muito bom. Se as empregadas domésticas hoje têm algum estudo e sabem formar uma opinião própria sem a ajuda de outros, isso é motivo de orgulho para o país.

O blog não é comunista, nem algo parecido. No entanto, acredita que quanto menor for a diferença social entre ricos e pobres, melhor será para o país como um todo. Não deveria incomodar aos “bons patrões”, como diz Nina, o fato de empregadas domésticas começarem a adquirir conhecimento. Sabem o que isso significa? É mais difícil enganá-las e passá-las para trás. De modo algum estamos dizendo que a blogueira faz isso com as funcionárias.

Pense bem. Qualquer pessoa com baixa instrução escolar ou pouco conhecimento sobre determinado assunto é mais fácil de ser manipulada, ou simplesmente convencida. Quando o cidadão não tem argumentos para discutir com o patrão, abaixa a cabeça e obedece. Isso não acontecer mais parece fazer com que os “bons patrões” se arrepiem, seja lá por qual motivo. Dizer a uma empregada que é obrigação dela fazer alguma tarefa e ela contestar pode até render demissão.

Só não aceita essa evolução social das empregadas, quem tem medo de perder o poder. Poder? Sim, poder. Durante 500 anos, as pessoas com mais dinheiro e mais estudo ocuparam o topo da pirâmide social. A diferença entre o lugar mais alto e o mais baixo era praticamente um abismo. O fato de mais de 50 milhões de pessoas pobres melhorarem de vida nos últimos oito anos diminuiu a distância entre topo e base.

Para não prolongar, é uma pena ver pessoas acharem ruim um ponto tão positivo para nosso país. Melhor seria se nossas empregadas domésticas estudassem mais, adquirissem conhecimento e soubessem opinar sobre assuntos diversos. Assim, não seriam manipuladas por políticos que as induzem a votar neles ao distribuírem dinheiro e comida, prometendo uma vida melhor – jamais percebida.

Caso particular

Uma senhora que trabalhou em minha casa, D. Leda, assistia a um telejornal e me questionou: “Filipe, na rua onde moro há lixo por todo canto. Vi na TV que podemos ligar em um número e solicitar ao SLU [Sistema de Limpeza Urbana do DF] que vá lá e recolha tudo. Já fiz isso, mas ainda não foram lá. O governo poderia tomar alguma atitude?”. Fantástico, não?

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