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O voto distrital se mostra como melhor opção para a democracia
Voto na legenda poderia ser extinto
Filipe Matoso
Entre os vários pontos abordados na Reforma Política, tão exigida pela sociedade e defendida por políticos, estão o fim da reeleição para o cargo de presidente da República (de quatro anos o mandato passaria a ser de cinco anos), o voto facultativo (deixaria de ser obrigatório) e o voto distrital. No fim das contas, para quê serve esta modalidade de votação? Bem, você já reparou que quando vai votar para deputado federal pode apenas digitar os dois primeiros números do candidato? Por exemplo, Aécio Neves (PSDB) se candidata a deputado e o número é o 4545. No entanto, se o eleitor digitar apenas 45, o voto será computado. Olha o eleitor sem clareza da situação.
Ora, por que isso é possível? Pois atualmente o voto serve para a coligação. No caso, o eleitor vota em todos os partidos que compõem determinado grupo. No Distrito Federal, o vencedor das eleições para governador foi o petista Agnelo Queiroz, que formou a chapa Novo Caminho, formada por inúmeros partidos políticos. Para o assunto não estender, pois é complicado, temos de explicar que o resultado das eleições depende do quociente eleitoral e do coeficiente partidário.
O quociente eleitoral é a quantidade necessária de votos para que um candidato seja eleito deputado (federal, estadual, distrital ou vereador). O Qe é obtido quando divide-se o número de votos válidos pelo número de cadeiras a serem preenchidas. Exemplo: Se no Distrito Federal são computados um milhão de votos válidos e há 24 cadeiras, o número de votos que o candidato deve ter são 41.700. O coeficiente partidário (Cp) é obtido quando o número de votos do partido é dividido pelo Qe. Ou seja, se no DF o coeficiente eleitoral é de 41.700, e a coligação Direita Azul, formada por DEM, PSDB e PSD, obeteve 300 mil votos, o Cp, ou número de vagas para este grupo, será de sete cadeiras.
Percebe como é complicado entender siglas e contas? Se o voto distrital for aprovado na Reforma Política, o eleitor poderá votar no candidato que preferir e se este político estiver entre os 24 com o maior número de votos, será eleito deputado federal, ou distrital. Parece justo, simples e fácil de ser entendido. Além disso, deixaremos de eleger candidatos com os quais não simpatizamos.
Vamos imaginar. Você votou no candidato Dr. Michel Alves (PSL-DF) para deputado distrital. No entanto, há na coligação um outro partido, que possui o ex-presidente Lula também como candidato. Você não concorda com as ideias do ex-metalúrgico, mas as chances de ele ser eleito se o Dr. Michel receber muitos votos é grande. Entende?
Como disse o tucano José Serra, o voto distrital poderia começar a valer já em 2012. Quem ganha é o eleitor. No atual sistema de coeficientes e quocientes, quem leva a melhor são os partidos.
Questões técnicas do voto distrital:
O município (no caso de eleição para vereador), e o Estado (eleições de deputados estaduais e federais) passam a ser divididos em distritos. Em vez de serem eleitos 50 vereadores ou 70 deputados estaduais com votos em todo o município ou Estado, por exemplo, a cidade fica dividida em 50 distritos e cada um deles elege um vereador. O mesmo se dá no Estado, dividido em 70 distritos e cada um responsável por eleger um deputado federal. O voto distrital também pode ser misto, sendo parte eleita pelo sistema atual e apenas parte pelo sistema distrital. (Fonte: O Globo)
