Avaliação de Dilma em oito meses e Lula como candidato do PT em 2014
Presidenta mostra pulso firme e alguns jornalistas tentam criar mais um factóide envolvendo o PT
Filipe Matoso
Nesta semana, a revista Carta Capital completa 17 anos e traz uma edição especial de aniversário. A publicação intitulada “O Brasil de Dilma” apresenta uma entrevista com a presidenta, artigos do senador Aécio Neves (PSDB-MG), Maria Rita Kehl, Delfim Netto, entre outros. Além disso, há um em especial, de Marcos Coimbra. Nele, o autor avalia o Governo Dilma e mostra de forma simples como foram os oito primeiros meses da petista à frente do Executivo.
A análise de Coimbra é muito boa. O autor apresenta três pontos cruciais para o Governo Dilma ser considerado, pela primeira vez, uma real sucessão da gestão anterior. No caso, chefiada por Luiz Inácio Lula da Silva. Os aspectos impressos na edição especial são citados abaixo.
Coimbra diz que o primeiro ponto é o da real continuidade ao antecessor, afinal, “Collor não era isso para Sarney, Fernando Henrique se sentia maior que Itamar Franco, e Lula e ele haviam sido adversários (quase) a vida inteira”. Muito bom!
Posteriormente, o autor publica que Dilma não se encaixa no “tipo ideal” de presidente que existe em nossa cultura política. Coimbra diz ainda que a petista está longe de ter algo extraordinário ou excepcional, algo comum em antecessores. De fato não tem e mesmo assim leva o governo de forma legítima e com pulso firme.
Por fim, o terceiro aspecto é o de Dilma demonstrar menos disposição para considerar natural o que outros políticos achavam inevitável como, por exemplo, a corrupção em alguns ministérios. Não por acaso, a presidenta disse, “sem papas na língua”, que iria “lutar contra os mal feitos” da forma que fosse necessária.
Carta Capital ganhou destaque ao praticamente enfrentar Veja nas eleições presidenciais do ano passado. Enquanto a revista ligada à Editora Abril colocava-se em defesa de José Serra e contra Dilma, a maior rival no campo político fazia o contrário, batia de frente e apresentava o lado petista da disputa. Não é necessário dizer se alguma agia de forma correta, ou não, pois essa opinião varia de acordo com o envolvimento político do leitor.
Voltando à Carta desta semana, o artigo de Maria Rita Kehl relembra que entre as principais diferenças entre Dilma e Lula está o fato de o ex-metalúrgico ter um jeito de pai dos brasileiros. Inclusive, chegou a nomear Dilma como mãe do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), sem ela ter essa imagem de carinhosa perante a sociedade. Dilma não. A presidenta tem pulso firme, age com a cara fechada e, como dizemos em Minas Gerais, “coloca os pingos nos is”. Entende?
Fosse José Serra à frente do Executivo em agosto de 2011, a luta contra a corrupção seria algo extraordinário, jamais visto na história do Brasil e um ato heróico de um homem predestinado a ser o melhor presidente do país. Com Dilma pode parecer não ser muito diferente, pois até a revista que mais atacou a petista nas últimas eleições, Veja, deu o braço a torcer e se apresentou como o novo apoio à presidenta.
Já nas questões políticas, Dilma arrumou encrenca. O combate à corrupção gerou, na verdade, o desligamento do PR da base aliada e o descontentamento do PMDB, após denúncias de supostos esquemas de corrupção. O curioso é ver partidos alegarem que Dilma não os defende e atua como a grande imprensa deseja. Engraçado ainda é perceber que a denominada pela imprensa “faxina no governo” é temida e a oposição se faz valer disso. Democratas se movem para criar uma comissão contra a corrupção e prometem divulgar nos veículos de comunicação os nomes de parlamentares que não a apoiarem.
Parece tudo uma bagunça. Enquanto Dilma age, de forma correta, ou não, partidos se rebelam e líderes do governo têm de se mexer para aprovar projetos em plenários no Congresso Nacional. Já a imprensa, elogia, aplaude. E a população? Os escândalos e questões econômicas fizeram a presidenta perder pontos na popularidade entre os eleitores.
Entretanto, se engana quem a vê em curva decrescente. Dilma tem a maior aprovação para os primeiros oito meses de governo, comprada aos antecessores. A petista parece mostrar para a sociedade que não possui o caráter paternal que tinha Lula, ou o de sempre conciliar-se para não perder apoio político. De fato, um presidente cai sem o respaldo do Congresso, assim como aconteceu com Collor. No entanto, Dilma parece ter coragem de enfrentar uma queda de braço contra os interesses políticos acima de tudo e isso incomoda, não é senador Alfredo Nascimento (PR)? Confira o post na íntegra:
Carta Capital dessa semana ajuda pessoas que gostam de Política a iniciar conversas para discutir a quantas anda o atual governo. Se Dilma dará conta de seguir da mesma maneira até 2014, só o tempo dirá. Entretanto, ao que tudo indica, se o rumo adotado neste ano for seguido, as chances de Dilma tentar a reeleição, como disse Lula, são certas.
Lula-2014
Por falar nas próximas eleições presidenciais, o Blog do Filipe não poderia deixar de mencionar o factóide da vez: Lula candidato do PT nas eleições de 2014. É impressionante a capacidade das pessoas de criar histórias e conversas fiadas. A tentativa, não de veículos, mas, sim, de jornalistas, é enfraquecer as imagens tanto de Dilma quanto de Lula.
Factóide, por definição, é a criação de um fato inexistente, que, de tanto ser repetido, torna-se verdade. Além disso, uma explicação é a de que os factóides são, geralmente, tentativas de criar um fato, ou publicá-lo de forma exagerada. Por sinal, vale ressaltar que muitos são falsos.
Querem um factóide? A bolinha de papel jogada em José Serra ano passado. O fato ocorreu, sim. Entretanto, o tucano dirigir-se a um hospital, fazer tomografia, cancelar agenda de campanha naquele dia, se dizer “grogue” e a imprensa divulgar absurdamente o acontecido foi um factóide. Outro exemplo foi a ficha falsa de Dilma publicada no jornal Folha de S. Paulo.
Voltando a Lula-2014, o ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, disse que este é um exemplo de factóide. O Blog do Filipe acredita que é improvável a candidatura de Lula nas próximas eleições presidenciais, pois o ex-metalúrgico encerrou o governo em 2010 com 93% de aprovação do eleitorado brasileiro. Portanto, teria muito a perder, caso voltasse a ser presidente.
O blog considera as notícias veiculadas sobre o assunto como falta de matéria, até porque, em resposta a Fernando Henrique Cardoso, Lula disse, em entrevista ao programa CQC (TV Bandeirantes), que “disputar eleições a partir de agora só se for no céu”.
Publicado em 24/08/2011, em Eleições 2010, Imprensa, Política e marcado como avaliação do governo dilma, Carta Capital, Carta Capital 17 anos, Dilma, Factóides, FHC, Folha de S. Paulo, Governo Dilma 8 meses, José Dirceu, Lula, Marcos Coimbra, PSDB, PT, Serra, Veja. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.




Deixe um comentário
Comentários (1)