Senado arquiva caso de ameaça de Roberto Requião a jornalista

Repórter da Rádio Bandeirantes é ameaçado de agressão física e Senado arquiva caso

Filipe Matoso

Incomodar. Palavra que acompanha um jornalista tal como o sobrenome dele estampado no crachá do jornal no qual trabalha. As perguntas mais cabeludas rendem respostas que viram manchete no outro dia, elogios dos colegas, mas também provocam a fúria de alguns entrevistados. O senador Roberto Requião (PMDB-PR) que o diga.

Irritado por uma pergunta do repórter Victor Boyadjian, da Rádio Bandeirantes, sobre a aposentadoria vitalícia que recebia como ex-governador do Paraná, Requião ameaçou agredir o profissional. “Você quer apanhar?”, indagou o político. Como se não bastasse, tomou o gravador do jornalista – instrumento de trabalho -, apagou as gravações e o devolveu. Inacreditável.

O ato, criticado duramente por várias pessoas – de forma correta – rendeu uma representação contra o senador no Congresso em abril. Entretanto, o coleguismo falou mais alto e, mais uma vez, a Casa deu uma aula de cavalheirismo e não fez nada. O parecer assinado por dois advogados do Senado avaliou que a atitude de Requião está dentro das normas de conduta, sem necessidade de advertí-lo. Aplausos, senhoras e senhores.

Assim como arquivaram a representação contra as declarações homofóbicas de Jair Bolsonaro (PP-RJ), engavetaram o caso de Requião. Hoje em dia, virou moda ligar para jornalistas e xingá-los, processá-los, chamá-los de mal caráter e por aí vai. Agora pense. Se todas as conversas fossem gravadas, os problemas seriam menores. Seria muito mais fácil de se provar o real conteúdo discutido. Assim, não haveria acusações tais como “eu não disse isso”, “é você quem está dizendo que eu falei aquilo”, etc.

Tomar o gravador de Boyadjian, ameaçá-lo de agressão física e devolver o instrumento sem o conteúdo é um absurdo e uma tremenda falta de respeito para com todos os profissionais da área de Jornalismo. O valentão Requião, ou como disse o jornalista Leandro Fortes (Carta Capital), vacilão, deveria manter a postura e agir como um homem menos agressivo.

Senador paranaense Roberto Requião (PMDB)

Ora, se perguntas feitas por jornalistas o incomodam, trabalho de preparação para a assessoria de imprensa. Os assessores devem fazer uma intermediação entre político e repórter, preparar o assessorado para perguntas e, assim, fazer com que haja menos dor de cabeça.

Por outro lado, é claro que há aqueles repórteres incovenientes e chatos, mas um erro não justifica o outro. Como em toda profissão, sempre tem o desastrado. Entretanto, é de se pensar que se não fosse a curiosidade eterna de jornalistas e as perguntas cabeludas, muitos fatos ficariam escondidos. Veja, não há mal nenhum em questionar: “prefeito, o senhor é acusado de desviar R$ 3 milhões de uma obra na cidade do senhor. O que tem a dizer sobre o assunto?”. Pronto.

Por sinal, repórter não deve ter medo de perguntar, jamais. Se o assunto é polêmico e pode causar algum tipo de constragimento, que o jornalista avalie no nomento e veja se vale a pena ou não abordá-lo.

Sobre Requião, seria melhor o senador deixar de a conversar com Victor posteriormente a passar por esse papelão. Papelão? Só para nós. Para o Senado, atitude dentro das normas de conduta.

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Publicado em 26/07/2011, em Política e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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