Os concursos e o corte de R$ 50 bilhões
Por Filipe Matoso
Opiniões divididas. Há quem defenda e quem seja contra
O Governo Federal, por meio do Ministério do Planejamento (MP), chefiado por Miriam Belchior, anunciou na semana passada o corte de R$ 50 bilhões no orçamento de 2011. Dentre os objetivos, conter a inflação. Entre as consequências, concursos públicos a nível federal suspensos.
Pessoas procuraram o Blog do Filipe e perguntaram se o corte era necessário e como elas iriam senti-lo no bolso. Veja: o objetivo do governo foi conter a inflação. Sem o corte, poderíamos observar o índice chegar a 10 ou 12% a.a. E o que isso representa no bolso do consumidor?
Imagine a seguinte situação. Hoje você tem R$ 100 e consegue comprar 10 caixas. Com a inflação a 10% ao ano, os produtos ficam mais caros e seu dinheiro vale 10% menos no fim do ano. Isso quer dizer que com os mesmos R$ 100 você não conseguirá comprar as 10 caixas.
Vamos a outro exemplo. Na sua casa há cinco pessoas e o supermercado do mês chega a custar R$ 650. Com a inflação em alta, você não conseguirá comprar a mesma quantidade de produtos com os mesmos R$ 650, ou seja, comprará menos. Com isso, percebemos que são necessárias atitudes do governo para conter a inflação. O corte de R$ 50 bilhões é uma delas.
O Blog do Filipe tem como prioridade tratar de assuntos ligados a Política. Inflação, taxa Selic e outros assuntos de Economia são bastante complexos e exigem explicações mais detalhadas. Ficaremos apenas na área que costumamos trabalhar para não cometermos enganos. Portais como G1, Folha, Correioweb e vários outros têm áreas exclusivas de Economia. Lá você encontra a explicação completa de como funciona, é tratada e é pensada toda a parte que envolve inflação, taxas e pensamentos do governo.
Vejamos uma das inúmeras consequências. Todos os concursos públicos a nível federal e as nomeações de pessoas aprovadas em concursos estão suspensos. Em 2011 eram aguardados concursos como do Senado Federal, Ministério Público (MPU), Banco Central e alguns outros. Há pessoas que se preparavam para estes há algum tempo, tanto para nível médio quanto superior.
Com a suspensão temporária, é de se perguntar o que irão fazer os concurseiros. O Blog do Filipe conversou com Rodrigo Cunha (20), estudante para concursos desde 2009. Segundo Rodrigo, “vou continuar estudando. A gente fica meio chateado pelas suspensões, mas deve entender os motivos”.
Rodrigo disse ainda que “o importante é a gente se preparar o máximo possível. Pode ser que os concursos voltem no meio do ano, ou até mesmo no fim, mas é melhor eu continuar me preparando. Quem achar que não vale a pena estudar porque não tem nenhum concurso previsto, vai largar atrás na hora das provas”.
O blog conversou também com a estudante Priscila Matoso (32), formada em Administração de Empresas. Para ela, “é fundamental que as pessoas não percam a vontade de estudar. O Sarney chegou a dizer que o concurso para o senado será realizado de qualquer maneira, então devemos aguardar. Basta termos paciência e continuarmos focados”.
Conversando com outros concurseiros, o blog chegou a ouvir que “não dá para entender a Dilma, pois a propaganda eleitoral mostrava a área econômica do país muito bem e agora aparece este corte”.
Para Matheus Oliveira (26), “não vou parar de estudar, mesmo com a suspensão temporária. Acredito que o contigenciamento será até o meio do ano. Concursos e nomeações para o início de 2012 voltarão ao normal no segundo semestre. Dessa forma, estas atitudes influenciarão apenas no orçamento do ano que vem”.
Ao pensarmos no corte de R$ 50 bilhões anunciado pelo governo, devemos entender quais são os motivos e quais serão as consequências. Pode ser que neste momento não seja agradável saber que os concursos estão suspensos, mas é importante perceber que para a Economia foi algo bem pensado e bem planejado.
É compreensível ver estudantes dizerem que estão chateados, pois se preparam há bastante tempo para concursos e agora não têm perspectiva de prestar algum. Entretanto, estas pessoas devem pensar no país como um todo e a medida tomada trará boas notícias no fim do ano. É isso o que a gente espera.
Publicado em 16/02/2011, em Uncategorized e marcado como Concursos Públicos, Corte de R$ 50 bilhões, Matheus Matoso de Oliveira, Ministério do Planejamento, Miriam Belchior, Priscila Matoso, Rodrigo Cunha. Adicione o link aos favoritos. 1 Comentário.
Olá Filipe!
Depois de muito tempo sem postar comentários no seu Blog – mas sem nunca deixar de ler os seus posts – me senti na obrigação de comentar esse post pois além de falar sobre Economia fala sobre um trabalho que consumiu 100% do meu tempo no mês de janeiro: o corte de R$ 50 bi.
Achei muito boa a sua abordagem sobre o assunto. Exemplificou muito bem um assunto complicado para a maioria das pessoas, que é a inflação. E acertou em cheio ao mostrar a razão da necessidade do corte. A consolidação fiscal – fazer mais com menos – além de tirar a pressão da inflação, possibilitará um aumento de eficiência da máquina pública e, no médio prazo, permitirá a redução da taxa de juros pelo banco central. Essa redução da taxa de juros fará com que a economia retome o seu curso de crescimento sustentado pois as empresas voltarão a investir e a gerar mais empregos. De imediato a medida é impopular, mas no médio e no longo prazo será benéfica para o país.
Com relação aos concursos, sua abordagem foi perfeita mais uma vez. E, certamente, aqueles que continuarem estudando não se arrependerão pois a Ministra Miriam Belchior deixou bem claro no dia do anúncio do corte que os concursos e as nomeações serão analisadas caso a caso. A tendência é o governo priorizar a contratação de servidores em detrimento da manutenção de terceirizados, até porque existe um acordo do Governo Federal com o Ministério Público do Trabalho para fazer isso.
A suspensão dos concursos e das nomeações é temporária, apenas para que o Ministério do Planejamento possa de fato planejar a política de recursos humanos do Governo Federal. Uma coisa é certa: os concursos não vão parar. Até porque o legislativo, o judiciário e o Ministério Público não entram nesse corte, pois possuem autonomia administrativa e financeira e podem continuar realizando suas seleções independente de qualquer corte feito pelo poder executivo. Outra questão a ser colocada é a necessidade de reposição da mão de obra pois muitos servidores estão se aposentando e será necessário contratar novos servidores. Por fim, com relação aos concursos para as carreiras típicas de estado: esses não entram no corte pois são essenciais para a melhoria da eficiência da máquina – fazer mais com menos – devido a alta qualificação dos aprovados. A título de exemplo: o anúncio do corte foi feito na quarta-feira, dia 09/02, e no Diário Oficial da União do dia 10/02 foi publicada a nomeação de 100 Gestores Governamentais.
Parabéns por abordar um assunto tão complexo de maneira tão simples! Exemplo para muitos jornalistas antigos que acham que entendem de tudo e acabam complicando ainda mais assuntos que precisam ser esclarecidos para a população.
Um bom exemplo foi a análise que muitos jornalistas fizeram com relação à votação do salário mínimo. A maioria se apegou ao oportunismo dos partidos de oposição e não explicou que o Governo quis aprovar o valor de R$ 545,00 em função da austeridade fiscal e da diminuição da pressão inflacionária, mas isso é assunto para o comentário de outro post, quem sabe.
Parabéns!
Abração!
Guilherme