Revolta de militantes é consequência de propagandas ofensivas

Por Filipe Matoso

Revista britânica The Economist trouxe na edição de novembro de 2009 (semana entre os dias 14 e 20) a comparação entre o Governo FHC e o Governo Lula. Na capa, é lido “Brazil Takes off” (Brasil decola).

Atuais campanhas, tanto presidenciais quanto para governadores, estão com o nível lá em baixo. As propostas, ideias e os debates voltados para o povo foram esquecidos. O que se tem visto nos últimos meses é uma verdadeira baixaria. Há sim muitas propagandas bacanas e bem feitas, mas essa realidade está bem longe de chegar a todas as campanhas.

Em Brasília pôde-se ver um imenso conflito entre militantes de partidos adversários. No dia 20 de outubro, houve o caso da bolinha de papel no Serra. Tanto faz se estavam na briga 380 pessoas ou duas e não importa se foi uma bolinha de papel ou um tijolo. Não dá para os militantes transformarem passeatas em guerras.

A culpa, não nos esqueçamos, não é só destes militantes. As campanhas violentas, com baixo nível, agressivas e ofensivas contribuem para a atual situação. As propagandas, em sua maioria, estão péssimas. Apenas ataques e mais ataques. Mas também não podemos ser ingênuos, pois neste período é tudo ou nada.

Vejamos a britânica The Economist. O que a revista fez no fim do ano passado deveria também ser feito pelos candidatos agora. E é um ato simples. É feita a comparação entre um modelo de governo e outro. Sem baixaria, críticas, ofensas ou estímulos à violência.

Perguntei a jornalistas e pessoas de várias profissões as opiniões sobre as campanhas atuais. Parece que as respostas foram combinadas. A maioria criticou e disse presenciar, se não as piores, umas das piores propagandas eleitorais. É unânime a opinião de que somente ataques não prejudicam apenas os acusados, mas também os eleitores. Lembro apenas que as críticas não são para um candidato ou outro, mas atingem a todos.

Turma do ataque, não adianta criticar os militantes dos outros partidos que causam tumultos. Não precisa o Serra dizer que a violência não vai fazer com que ele desista da presidência, porque, na verdade, quem está criando todo esse clima são os próprios candidatos, seja ele, a Dilma, ou a Weslian.

Campanhas limpas, bem feitas e baseadas em propostas não têm como conseqüência os atos vistos nos últimos meses. No entanto, o horário eleitoral baseado na porrada (não entendam esta frase como estímulo à violência. Uso apenas uma metáfora para ilustrar as propagandas baseadas nas ofensas) instiga a população a fazer igual.

Portanto, não adianta criticar apenas os causadores de confusão. É preciso notar também que as campanhas estão tornando o clima perigoso e hostil.

 

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Publicado em 22/10/2010, em Eleições 2010, Política e marcado como , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Filipe, parabéns pelo blog e pelos posts :) Sua argumentação é inteligente e seu blog é prazeroso de ler… Vou continuar lendo seu blog. Assim que eu reestruturar o meu eu passo o link para você também acompanhar!

    Um abraço do seu amigo Tiago!

  2. Esse seu pensamento de que a violência mesmo que verbal esteja instigando a população a agirem da mesma forma é absolutamente aceitável, no inicio das campanhas aqui em brasília, militantes do PT (Agnelo) e PSC (Weslian)estiveram se atracando da forma mais pré-histórica e animal possível, tudo isso pq os Senhores candidatos se degladiaram fora e dentro do jogo politico, partiram para o lado pessoal, jogaram e jogam baixo, essas atitudes so instimula e incita a violência, eles só não podem esquecer, que o todas as formas de debates,são ganhas com palavras e não atitudes primitivas.

  3. Guilherme Macedo

    Gostei do post. E tambem achei as campanhas daqui com um nivel muito baixo. Agora, quando estavamos nos EUA, pudemos ver as campanhas dos senadore para as “mid-term elections” de lah. Confesso que nos spots de TV (pagos pelos candidatos pois lah nao tem propaganda gratuita) o nivel era baixo, bem parecido com o daqui. Mas tive a oportunidade de assistir uns 3 debates entre candidatos ao senado de 3 estados de tamanho medio (isso mesmo! lah eles tem debates entre senadores! muito bom, nao?). Nos 3 debates, sem excecao, foi impressionante o nivel das discussoes: lah em cima! Discutiam-se projetos de lei, problemas a serem enfrentados, possiveis solucoes, etc. O nivel do debate entre candidatos a senadores de estados mediano dos EUA era bem superior ao nivel dos nossos debates presidenciais. Lamentavel isso, mas eh verdade.

    Arrisco creditar essa baixaria aos estrategistas de campanha e marqueteiros que acham que precisam “vender” o candidato como se fosse propaganda de cerveja: compre essa e nao compre aquela pq ela eh ruim. E nao apenas: compre essa pq ela eh boa e melhor que aquela.

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