Questões religiosas dão o tom a campanhas políticas
Assuntos como Aborto e Casamento Homossexual estão no foco das discussões políticas. Campanhas tratam dos temas como se fossem relevantes, quando, na verdade, não são.
Há algumas semanas, Aborto e Casamento Homossexual viraram destaque tanto na imprensa quanto nas campanhas. Vê-se nas propagandas eleitorais para presidente e governador estas questões o tempo inteiro.
A candidata do PSC ao governo do Distrito Federal, Weslian Roriz, mostra em sua propaganda o vídeo do padre José Augusto. As imagens podem ser vistas na TV católica Canção Nova. No VT, aparece a seguinte frase: “Se o PT ganhar, pode me matar, pode me prender e pode fazer o que quiser comigo”.
Sinceramente, qual a necessidade de um padre falar dessa forma em uma missa? Será que é verdade que poderemos matá-lo ou prendê-lo caso o Agnelo (PT) vença? É claro que não!
Não vejo necessidade alguma tanto em o padre dizer o que disse, quanto na campanha da Weslian Roriz aparecer um vídeo deste nível.
Critico este tipo de campanha política. Repudio o padre José Augusto por suas palavras. Não há motivos suficientes para um homem religioso pronunciar as palavras ditas e prometer aos fiéis atos que jamais serão cumpridos.
Parece estarmos vivendo a Teocracia novamente (período em que a Igreja governava). As religiões não deveriam interferir nas propagandas eleitorais de forma tão agressiva quanto se vê agora. Sei que a Igreja Católica é contra a união gay. Mas, vamos pensar um pouco: nós temos direito de dizer com quem as pessoas podem se relacionar sexualmente? Isso, por um acaso, é questão política?
Não quero entrar em discussões religiosas aqui. Mas coloco em questão se os assuntos religiosos deveriam fazer parte das campanhas políticas. Critico de forma severa a campanha da candidata Weslian Roriz (PSC) por sua postura.
No post “Primeiro turno termina, mas luta continua” disse que esperava um segundo turno limpo entre os candidatos. Quando ligo a TV e vejo cenas como a do padre José Augusto, vejo que o nível está lá em baixo. Propostas? Questões sérias? Debates voltados para o povo? Nada disso é visto quando se envolve questões religiosas nas eleições.
Mexer com a religiosidade das pessoas não é certo. Envolver assuntos dessa magnitude interfere de forma negativa nas campanhas. Voto, eleições e debates não têm a ver com religião. Infelizmente, há políticos que utilizam desse artifício para conseguir votos.
Na verdade, atitudes como estas demonstram total desespero. Afinal, significa que o candidato não tem proposta para a melhoria, seja do Estado ou do país.
Não vejo pontos positivos em campanhas que tratam o povo como Peter Griffin (personagem cômico, visto como um energúmeno, do desenho animado “Uma família da pesada”). Aliás, se pararmos para pensar, tem muito político que acha o Peter mais inteligente que o eleitor brasileiro.
Filipe Matoso.
Vídeo do padre José Augusto
Publicado em 14/10/2010, em Eleições 2010 e marcado como Agnelo Queiroz, Campanhas políticas, Eleições 2010, Padre José Augusto, PSC, PT, TV Canção Nova, Weslian Roriz. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.


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