A cobertura da imprensa no período eleitoral
Vale a pena ou não assumir o partido político?
Faço Jornalismo e estou no 4º semestre. Aprendo desde o primeiro dia de aula que o repórter deve ser imparcial, sem partido político e honesto em suas matérias.
Infelizmente, sabemos que hoje não é desta forma que está a profissão. Há inúmeros jornalistas totalmente parciais, preocupados em fazer matérias que beneficiem seu partido político – ou destruam a imagem dos partidos adversários. Mas que fique claro que não são todos, apenas alguns aqui e outros ali.
Dizer nomes de repórteres, jornais ou revistas não adianta. O correto a fazer é saber filtrar o que se lê, o que se vê e o que se escuta na mídia. Principalmente em período eleitoral, devemos tomar bastante cuidado com as notícias que são publicadas.
Assim como as pessoas, é perfeitamente compreensível que os veículos tenham seus lados políticos. No entanto, sem querer viver em um mundo perfeito, seria mais sincero com a população que os veículos ao menos admitissem sua ideologia partidária.
Há exemplos, como no Jornalismo norte-americano, em que os veículos assumem seus lados políticos. No Brasil podemos ver este exemplo na revista Carta Capital, na edição nº 603, de julho deste ano. Inclusive, no Editorial, Mino Carta assume que apoia Lula desde 2002. Na capa, há o seguinte texto: “Porque apoiamos Dilma”. Eu considero uma atitude exemplar. Posso concordar com o lado deles ou não. Mas a verdade é que gostaria que ao menos outros veículos admitissem por quem optaram.
Julgar como parcial e desonesta a revista é uma atitude infantil e não pensada. Penso que, já que é pra ter um lado, que pelo menos assuma. Alguns veículos pregarem a imparcialidade e fazerem matérias apenas favoráveis a um e contra outro é a verdadeira parcialidade.
Não estou acusando ninguém ou nenhum veículo de ser desonesto, apenas reflito: não seria mais “Jogo Aberto” o jornal ou a revista admitirem seu pensamento político?
Espero, um dia, ser um bom jornalista. Tenho, sim, meu lado político, meus candidatos favoritos e não escondo isso. Não critico quem tem. Pelo contrário, acho que todos devem, sim, optar por aquela ideologia que acreditam ser a melhor. Às vezes, ficar “em cima do muro” não adianta. Ser influenciável também não.
Que possamos votar nessas eleições por vontade própria. Não é inteligente votar em quem o pai vota, ou em quem um determinado veículo de comunicação aponta como melhor. Que todos possamos ter o mínimo de consciência antes de votar.
Filipe Matoso.
Publicado em 28/09/2010, em Eleições 2010, Imprensa, Política e marcado como Carta Capital, Eleições 2010, Imprensa, Jornalismo, Política. Adicione o link aos favoritos. 5 Comentários.
Muito bom, garoto. Texto leve, bem escrito e sincero. Use bem esse espaço, que é um ótimo laboratório para você desenvolver seu texto e, principalmente, sua visão crítica.
Forte abraço.
caro Filipe,
Uai, o Estadao assumiu publicamente que apoia o Serra. Isso também não é legal ou só é legal se apoiar Lula/Dilma? O problema é que Lula/Dilma não admitem contrarieade, não admitem que se publique o que eles acobertam de corrupção e falcatrua, o que ela “exige” de licença ambiental sem respeitar a legislação!!! Aí eles chamam de golpe baixo quando as pessoas denunciam o que eles fizeram de errado. Por que Lula agora apoia a família Sarney no Maranhão, Collor em Alagoas, Jader Barbalho no Pará se antes ele sempre chamou esses caras de LADRÕES (existe discurso gravado!!!!). Por que traiu o PT de Minas, subjugando-o ao PMDB? Por que um senhor ético como o Frei Beto saiu do governo Lula nos primeiros meses de governo? Concordo contigo que toda a imprensa tem o direito de alinhar com um determinado candidato, mas o que é INADMISSÍVEL É O PRESIDENTE QUERER CALAR A IMPRENSA QUE O CRITICA, QUE DENUNCIA A CORRUPÇÃO IMPUNE NO SEU GOVERNO, AS MERDAS QUE ELE FAZ (como p.e., deportar atletas dissidentes cubanos e dar exílio para um assassino comum italiano). Daqui a pouco ele vai dizer que Erenice Guerra nunca existiu, que é invenção da imprensa de oposição. Que grande ditador, cara-de-pau!!!
Olá,
concordo quando você diz que o Estadão fez a mesma coisa. Acho, sim, também uma atitude exemplar do jornal. Da mesma forma que elogiei a Carta Capital, elogio sem problema algum o Estadão. Eu apenas não havia lido ainda o Editorial do Estado de S. Paulo antes de fazer o post. Mas, sem dúvida, acho também ser uma atitude digna do jornal. Apenas lembro que o foco do meu post é o ponto de vista jornalístico(cobertura da imprensa), não político.
OK, “meu” garoto!!! Vá em frente!!!
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