Governador do DF teve sigilo telefônico quebrado
Filipe Matoso
A Secretaria de Comunicação do Distrito Federal informou na noite desta terça-feira (29) que o governador Agnelo Queiroz (PT), entre outras autoridades, teve o sigilo telefônico quebrado de forma ilegal. O GDF estima que 300 servidores tiveram os dados violados.
Em nota, o governo informou que o crime ocorreu quando uma pessoa, que não terá a identidade divulgada, se passou por servidor do GDF, entrou em contato com a operadora e trocou a senha de acesso aos dados. Com as informações, diz a secretaria, o criminoso obteve os nomes dos proprietários das linhas, o tempo dos telefonemas, horários e números de origem e destino.
“Com esse procedimento criminoso, ele [o suspeito] conseguiu quebrar os dados cadastrais. Quanto ao conteúdo, não há como afirmar se houve quebra. A nossa expectativa é de que isso não tenha acontecido”, disse em nota o secretário de Justiça do DF, Sandro Avelar.
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Até a próxima!
Os governadores e Cachoeira
Filipe Matoso
Em depoimento nesta terça-feira (29) no Conselho de Ética do Senado, Demóstenes Torres (sem partido-GO) divulgou – de caso pensado ou não – uma possível nova informação aos responsáveis pelas investigações que apuram a relação do empresário Carlinhos Cachoeira com grupos políticos e de empresários.
O bicheiro foi preso em fevereiro deste ano pela Polícia Federal sob suspeita de envolvimento com a exploração ilegal de jogos.
Demóstenes admitiu ser amigo pessoal do contraventor, mas negou a todo instante saber que Carlinhos Cachoeira estava envolvido com a exploração de jogos ilegais em Goiás. Ele afirmou ser amigo de uma pessoa que possui relação com “cinco governadores”.
Vale ressaltar, todos eles negaram qualquer envolvimento com atividades ilícitas ligadas a Cachoeira.
Bem, nada foi publicado sobre o assunto até agora. Por enquanto, haviam sido citados os governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), além de Sérgio Cabral (PMDB), do Rio de Janeiro, fotografado com diretores da empresa Delta Construções, que está sob suspeita de cometer diversas irregularidades.
Se Demóstenes disse a verdade, há, pelo menos, mais dois governadores supostamente envolvidos com o bicheiro. Quer dizer, as investigações ainda podem ser ampliadas. A CPI, o Conselho de Ética ou a Justiça podem ouvi-lo para confirmar a suposta “nova informação”.
Até a próxima!
Demóstenes no Conselho de Ética
Filipe Matoso
O senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) prestou depoimento nesta terça-feira (29) no Conselho de Ética da Casa, que abriu processo para avaliar se houve quebra de docoro no envolvimento do parlamentar com o empresário Carlinhos Cachoeira.
Avaliação
Para o relator, Humberto Costa (PT-PE), o depoimento de Demóstenes foi “enriquecedor” e há “índícios que de que houve a quebra de decoro”. Cristiana Lôbo, comentarista do canal por assinatura “Globo News”, publicou no microblog Twitter: “objetivo de Demóstenes é mostrar relacionamento com o lado legal de Cachoeira e não com o de explorador de jogos. Nas gravações foi diferente”. “O ambiente ficou mais favorável, mais positivo para ele”, completou em reportagem.
Amizade
Durante a sessão, que durou cinco horas, o senador admitiu ser amigo pessoal do contraventor, mas negou a todo instante que soubesse que Carlinhos Cachoeira estava envolvido com a exploração de jogos ilegais em Goiás.
Rádio
Demóstentes disse ainda que o polêmico rádio Nextel, dado a ele por Cachoeira, servia para que dois amigos pudessem conversar. “Quandou sobre da prisão de Cachoeira [em fevereiro deste ano], devolvi o aparelho à mulher dele”, afirmou. Segundo o parlamentar, as contas eram pagas pelo contraventor e chegavam, em média, a R$ 50. “Recebi para a minha comodidade. Falava no Brasil, nos EUA e na Argentina”.
Sentimento
O parlamentar disse em depoimento que o sentimento é de “decepção” com Cachoeira, pois o bicheiro havia dito a ele que “tinha parado com o jogo ilegal”. “Cachoeira se relacionava com diversos governadores e políticos, ninguém sabia da atividade dele. Acredito que todos estão decepcionados com ele”, disse. Demóstenes afirmou se sentir “traído” pelo bicheiro.
Vazamento
Para Demóstenes, o vazamento do conteúdo das ligações telefônicas feitas entre ele e Cachoeira foi “seletivo” e feito para desmoralizá-lo.
Investigações
Durante a sessão, o senador afirmou que as investigações feitas pela Polícia Federal foram ilegais. “Fui investigado clandestinamente!”, disse. Este argumento, que é apresentado pela defesa de Demóstenes desde o início das acusações, já foi rebatido pelo Ministério da Justiça. O chefe da pasta, José Eduardo Cardozo, disse ao “G1″ que as escutas foram legais e a polícia não poderia se omitir “diante de tantas ligações entre Demóstenes e Cachoeira”. “O foro privilegiado não pode servir para acobertar fraudes de parlamentares”, disse Cardozo.
Suspeita de lobby
Demóstenes negou a todo instante que atuasse como lobista de interesses ilegais. O senador afirmou que atuou “em defesa de todas as empresas do estado [Goiás]” que o procuraram. “Eu não tenho nada a ver com o jogo“, disse. Demóstenes afirmou que deve ser julgado pelo que fez e não pelo que falou. “Eu nunca procurei nenhum colega, de qualquer partido, para aprovar o jogo”, se defendeu.
Quebra de decoro
O senador negou ter usado mandato em favor de Carlinhos Cachoeira. “Este é o pior momento da minha vida (…) cheguei a pensar em renunciar ao meu mandato”.
CPI do Cachoeira
A comissão aprovou na tarde desta terça-feira a quebra de sigilo das contas nacionais da empresa Delta Construções.
Até a próxima!
Lula e os blogueiros progressistas
Filipe Matoso
O ex-presidente Lula enviou uma mensagem aos chamados ‘blogueiros progressistas’, que participam neste fim de semana de um encontro nacional em Salvador, na Bahia. Ano passado, Lula esteve no evento que ocorreu em Brasília e ressaltou a importância dos blogs na contrapartida às informações repassadas por alguns veículos de imprensa que têm lado político, mas não o assumem.
Até a próxima!
STF derruba sigilo de documentos que apuram ligação entre Demóstenes e Cachoeira
Agência Brasil
O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou nesta quinta-feira (24) o sigilo de grande parte dos documentos do inquérito que apura a ligação do senador Demóstenes Torres (sem partido–GO) com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
Segundo a decisão, os únicos documentos que permanecem sob sigilo são os arquivos de escutas telefônicas. A decisão do ministro atende em parte ao requerimento encaminhado pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, que queria o fim total do sigilo, e investiga a relação do bicheiro com grupos políticos e de empresários.
Até a próxima!
Lula e Pelé em São Paulo
Filipe Matoso
O ex-presidente Lula recebeu Pelé nesta quinta-feira (24) na sede do Instituto Lula, em São Paulo. O ex-ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência e hoje diretor da entidade, Luiz Dulci, e o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, também estiveram no encontro. O Corinthians, de Lula, e o Santos, de Pelé, se enfrentam pela semi-final da Taça Libertadores da América. O conteúdo da conversa não foi divulgado pelo instituto.
Até a próxima!
Situação tensa no PPS do Distrito Federal
Filipe Matoso
Mais uma desfiliação. Dessa vez, o secretário-adjunto de Justiça do DF, Jefferson Ribeiro, pediu o desligamento do PPS. Ele é mais um a anunciar a saída após a decisão, anunciada em 16 de maio, da executiva nacional do partido, de intervenção na legenda no Distrito Federal.
Para o presidente nacional do PPS, deputado federal Roberto Freire, as denúncias de que o governador Agnelo Queiroz teria um suposto envolvimento com o grupo do bicheiro Carlinhos Cachoeira deixaram a legenda sem condições de apoiar o governo e o PT.
Agnelo já negou em diversas oportunidades e diz ser “vítima” do grupo do contraventor.
A decisão, segundo Freire, não tem ‘nada a ver’ com o fato de o PPS fazer oposição ao governo Dilma. Na Câmara Legislativa do DF, o partido conta com duas cadeiras e já disse que se os distritais também pedirem a desfiliação, a legenda vai reivindicar as vagas. Os parlamentares pertenciam à base aliada ao governo e a orientação é que passem a fazer oposição.
Segundo o presidente do PPS-DF, Aldo Pinheiro, os distritais poderão votar de forma “independente”. “Não seremos oposição ferrenha ao governo. Espera-se que eles [Cláudio Abrantes e Luzia de Paula] cumpram a determinação da Executiva Nacional, claro. Vamos sentar e conversar com eles para acertar um posicionamento. A princípio, eles têm de se afastar da base, mas isso não quer dizer que eles serão sempre oposição”, afirmou Pinheiro ao “G1″.
O secretário de Justiça, Alírio Neto, também anunciou a saída do partido. A direção nacional do PPS mandou, em 11 de maio, que todos os membros da legenda pedissem exoneração do governo Agnelo.
Interlocutores da Secretaria de Justiça afirmam que cerca de mil dos dois mil filiados devem deixar o partido por não concordar com a intervenção nacional.
Até a próxima!
Deputados aprovam texto da ‘PEC do Trabalho Escravo’
Filipe Matoso
A Câmara dos Deputados aprovou durante a noite desta terça-feira (22) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que permite a expropriação de terras rurais e urbanas onde a fiscalização encontrar exploração de trabalho escravo. Os terrenos poderão ser destinados à reforma agrária ou a programas de habitação popular. A proposta é do Senado e, como foi modificada na Câmara, volta para análise dos senadores.
Diversos deputados afirmaram que o Congresso precisa agora aprovar uma lei que regulamente o assunto, definindo o que é condição análoga ao trabalho escravo e os trâmites legais da expropriação. A proposta foi aprovada com 360 votos a favor, mas bastavam 308 para ser aprovada.
O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), disse que as duas Casas do Congresso vão formar um grupo de trabalho para redigir o projeto de lei de regulamentação.
De acordo com reportagem do “G1″, o Maranhão é o estado que lidera atividades em condições degradantes no Brasil, segundo Ministério do Trabalho. Em 2011, foram registradas 97 denúncias de trabalho escravo na região.
* Com informações da “Agência Câmara“
Até a próxima!
Balanço do primeiro dia de Cachoeira na CPI
Filipe Matoso
Após este primeiro dia depoimento, ou melhor, de não-depoimento, de Carlinhos Cachoeira à CPI no Congresso Nacional, é possível fazer um balanço de vários pontos observados durante as duas horas em que o bicheiro esteve diante dos parlamentares. De um modo geral, a ida dele não gerou algo além do esperado. O silêncio já era anunciado pela defesa, e o fez sob direito constitucional, e o fato que pode ser considerado “concreto” é a ideia de quebra de sigilo completo da empresa Delta Construções, suspeita de estar envolvida com o grupo do contraventor.

Carlinhos Cachoeira no Congresso acompanhado do advogado, o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos/ foto: José Cruz – ABr
Silêncio
Durante todo o tempo, Cachoeira “respondeu” as perguntas feitas pelos integrantes da CPI da mesma maneira. Ora mais delicado, ora mais sério, relembrou a todo instante o direito de permanecer calado durante toda a sessão. Em alguns momentos, sorria diante do descontrole de alguns parlamentares. Em outros, pensava antes de responder. Se a ideia de deputados e senadores era provocá-lo e tirá-lo do sério para que as informações viessem à tona, não deu certo. Pelo contrário. “Eu vou permanecer calado, deputado, por favor”, “eu vou usar o meu direito constitucional de ficar calado”, “falarei tudo depois que der o depoimento na Justiça”.
Ingenuidade
Alguns parlamentares foram, ou pareceram, ser ingênuos. A defesa de Cachoeira já havia anunciado em diversas oportunidades que o contraventor ficaria calado. Deputados e senadores o questionavam e pareciam estar complexados com a “falta de vontade do bicheiro em ajudar este país a melhorar”. Todos ali sabiam que ele não contaria nada, como ele bem lembrou, pelo menos por enquanto. Alguns chegaram a perder a compostura.
Perda de controle
A senadora Kátia Abreu (PSD), o senador Álvaro Dias (PSDB) e alguns outros parlamentares perderam o controle emocional e se mostraram impacientes. Kátia chegou a chamar Cachoeira de “múmia”, “bandido”, “cínico” e “chefe de quadrilha”, como se fosse o papel dela. Outros integrantes da CPI o atacaram com ofensas e em determinados momentos o nível desceu. Eles estavam irritados, mas jamais poderiam perder o controle como o fizeram nesta tarde.
Defesa
Um dos nomes mais citados nas duas horas de CPI, o chefe do grupo de advogados que defende Cachoeira, o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, orientava a todo instante o cliente. A cada pergunta, Cachoeira olhava atento para os parlamentares e conversava com Bastos. O advogado foi cumprimentado por quase todos os presentes e sorria. Ele, mais que todo mundo ali presente, entende a lei e sabe como usá-la. Em entrevista à “Globo News”, Thomaz Bastos disse que o cliente, se quiser, pode não falar “nunca”.
Base x Oposição
Ficou evidente, após várias declarações de integrantes da CPI, que as investigações podem vir a ser pautadas pelas disputas partidárias. A todo instante membros da oposição atacavam o governo federal por ter contratos com empresa Delta e os da base chamavam para a discussão o fato de o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), ser suspeito de ter envolvimento com Cachoeira. Se a CPI seguir nessa direção, a guerra vai se dar em torno dos partidos e não das denúncias.
Sequência
Como bem lembrou um dos membros em discurso, a comissão não pode basear os trabalhos apenas nos depoimentos dos envolvidos. É necessário colher provas, documentos e informações para que a ida dos suspeita seja complementar e não principal. Sem dúvida, outros convocados agirão da mesma forma e a CPI não pode comprometer as investigações em razão disso.
Volta de Cachoeira
O bicheiro disse durante os questionamentos que pode “voltar e ajudar” os trabalhos da CPI após ser ouvido pela Justiça de Goiás, em audiência que acontece nos dias 31 de maio e 1º de junho. Isso não é novidade. Ele já havia sinalizado que faria assim. Alguns integrantes disseram não acreditar que em um possível retorno ao Congresso o contraventor vá falar o que sabe. “Eu ajudaria muito, deputado, mas somente depois da minha audiência. Por enquanto, ficarei calado, como manda a Constituição”, declarou Cachoeira.
Opiniões
Deputado Miro Teixeira (PDT-RJ): “queremos chegar a políticos e parlamentares envolvidos com Cachoeira, não o destino dele”.
Relator Odair da Cunha (PT-MG): “cada acusado terá uma estratégia de defesa, isso é normal”.
Mulher de Cachoeira: “acho que ele está tranquilo. Ele está ótimo”.
Deputado Fernando Francischini (PSDB-PR): “o depoente não pode achar que aqui tem um monte de palhaço”.
Carlinhos Cachoeira: “estou respondendo a um inquérito na Justiça e antes disso não posso falar. Quem forçou minha vinda foram os senhores”.
Senador Álvaro Dias (PSDB-PR): “não há justificativa para a manutenção desse espetáculo grotesco que estamos assistindo agora”.
Até a próxima!




